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05 SET

Dólar salta 2,44% e tem maior alta em mais de 5 meses / com Marcelo Voss

Fonte: Reuters
São Paulo -

O dólar fechou em forte alta nesta quinta-feira, 4, ultrapassando o patamar de R$ 1,71 pela primeira vez desde abril, com a deterioração do sentimento dos investidores nos mercados financeiros globais. A moeda norte-americana saltou 2,44%, para R$ 1,719, a maior alta percentual de fechamento desde 2 de abril. Em apenas quatro sessões, a divisa já acumula alta de mais de 5,21% em agosto.


Segundo Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, a forte deterioração dos mercados financeiros nesta quinta-feira não se deve a fatos isolados, "não teve um único fato, é como se todo mundo no mercado chegasse a mesma conclusão ao mesmo tempo... Caiu a ficha de que a retração vem mesmo."


"É aversão ao risco de forma global, nada específico do Brasil", ressaltou o economista-chefe explicando que nesta sessão houve um movimento global de repatriamento de capital. "Temos uma 'zerada' de posições, fuga de renda variável e busca por títulos do governo norte-americano."
A poucos minutos do fim do pregão, os principais índices acionários norte-americanos caíam quase 3%, enquanto o Ibovespa recuava mais que 3%. O Risco País subia 8 pontos-base para 260 pontos. 

A busca por um refúgio seguro gerou a maior demanda dos Treasury norte-americanos desde março. "As coisas na Europa estão bem ruins, isso (abala) o euro e, por si só, causa um efeito inverso no dólar", afirmou Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor Corretora lembrando que a desvalorização do real apenas refletia um movimento negativo mais amplo dos mercados financeiros.


Os banco centrais europeu e da Inglaterra deixaram suas taxas de juros inalteradas. O dólar atingia o seu maior patamar do ano em relação ao euro. Frente a uma cesta com as principais moedas, o divisa subia mais de 0,6%. Nos países emergentes a alta era ainda maior e a moeda chegou a avançar 1% frente à lira turca e ao peso mexicano.


Forgione ressaltou ainda a queda dos preços das commodities, principalmente do petróleo. "Isso alavanca a moeda (norte-americana)", lembrou, afirmando que a nova tendência pode seguir no curto prazo mas que ela pode ser contida pela entrada dos exportadores e pelo aumento do juro interno, que deve ocorrer na próxima semana.


Em uma pesquisa Reuters divulgada nesta quinta-feira todos os economistas ouvidos esperam que o ritmo do aperto monetário no Brasil deve continuar em 0,75 na reunião do Comitê de Política Monetária na próxima quarta-feira.


No meio da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu a taxa de corte a R$ 1,690, e aceitou, segundo operadores, três propostas.

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