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05 SET

Dólar fecha a R$ 1,717, em seu maior nível desde abril; Bovespa cai 2,65% / com Mario Paiva

Fonte: Folha Online
Rio de Janeiro -

O estresse do mercado com a deterioração da economia global levou o dólar ao seu maior valor desde abril deste ano, numa escalada de seis dias de valorização contínua da moeda dos EUA.


A taxa de câmbio foi cotada a R$ 1,717 nos últimos negócios desta quinta-feira, num salto de 2,38% sobre a cotação de ontem. No decorrer do dia chegou a bater R$ 1,724 na máxima e R$ 1,677 na mínima. O preço da moeda americana não oscilava de forma tão brusca (para cima) desde agosto do ano passado.


Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,840, num avanço de 2,79%.


Ontem, as notícias sobre a economia européia já haviam assustado investidores e analistas, ao mostrar uma contração de 0,1% do PIB (soma das riquezas produzidas) no segundo trimestre. Para os países da zona do euro, o declínio foi ainda maior, de 0,2%. Trata-se do pior resultado desde o primeiro trimestre de 2003, quando o PIB teve crescimento nulo.


E hoje, as notícias não animaram os investidores: o próprio BCE (Banco Central Europeu) admitiu o enfraquecimento da economia do continente, ao revisar para baixo as projeções de crescimento para este ano. "A incerteza envolvida nesse cenário para a atividade econômica é particularmente alta na atual conjuntura", admitiu Jean-Claude Trichet, presidente do banco central.

"Foi uma reação do mercado à desaceleração da economia mundial. O discurso dele [Trichet] ajudou a botar mais gasolina na fogueira. Mas, na verdade, essa crise já se arrastava há muito tempo, desde a crise dos 'subprimes'. Quando os bancos começaram a anunciar aquelas perdas bilionárias provocaram uma aversão ao risco muito grande", comenta Mário Paiva, analista da corretora Liquidez.


A moeda americana já vem num processo de franca recuperação frente ao euro, que chegou a ser cotado a US$ 1,60 em julho. Hoje, o euro foi comercializado a US$ 1,43, ante US$ 1,44 na jornada de ontem.


Juros futuros


O mercado futuro de juros, que serve de referência para as tesourarias dos bancos, puxou para cima as taxas projetadas, acompanhando a disparada do câmbio.


No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 13,88% ao ano para 13,92%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 14,64% para 14,82%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada avançou de 14,26% para 14,55%.

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