Por Felipe Frisch
Depois de dois meses sem conseguir superar a inflação, as aplicações tiveram um mês de trégua em agosto. Com a deflação de 0,32% registrada pelo índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) em agosto, até mesmo os conservadores fundos DI e renda fixa que compram títulos púbicos do governo – voltaram a ter ganhos reais no mês. Ou seja, o dinheiro aplicado não perdeu poder de compra, rendeu acima da inflação. A liderança na corrida entre investimentos ficou com o dólar. Desde março sem fechar um mês em alta, a moeda americana teve valorização de 4,60% no mês.
Com a expectativa de recuperação da economia americana, a queda do euro e das commodities (matérias-primas, como petróleo e aço), os fundos cambiais, que fazem operações no mercado futuro para acompanhar a variação do dólar, tiveram valorização de 4,46% até o dia 26, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
Já o investimento em ações voltou a figurar como pior opção no mês e no ano. Em agosto, o principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o índice Bovespa (Ibovespa), acumulou queda de 6,43%. No ano, a perda já chega a 12,84%. Os fundos atrelados a este mercado ficaram na lanterninha entre as aplicações, caso dos fundos de quem aplicou parte do FGTS em ações da Vale e Petrobras, cujas perdas no mês foram de 10,86% e 4,44% respectivamente. No ano, os prejuízos médios dessas duas carteiras já chegam a 29,45%, nos fundos de ações da Vale, e 19,36% nos da Petrobras.
No ano, inflação ainda ganha Os fundos DI (que acompanham taxa básica de juros, Selic, hoje em 13% ao ano) registram ganho de 0,87% até dia 26, e os de renda fixa (prefixados, que apostam na queda da taxa), de 0,82%. No ano, os ganhos são de 7,38% e 8,02% respectivamente.
No entanto, como no ano o IGP-M ainda acumula alta de 8,35, a inflação pelo índice que reajusta os aluguéis ainda supera as principais aplicações no ano.
O superintendente de investimento do Banco Real, Eduardo Jurcevic, pondera, no entanto, que o mais adequado seria comparar seus rendimentos com o índice de preços as consumidor amplo (IPCA), que, segundo ele, refletiria mais adequadamente a variação de preços. O IPCA é o índice oficial do governo, que serve como referência para o sistema de metas de inflação. No ano, registra aumento nos preços de 4,87% até julho. O índice de agosto ainda não foi divulgado.
- O IGP-M pega algumas variações que não necessariamente são sentidas pelas pessoas, ele não reflete a realidade dos preços. O índice que melhor faz isso é o IPCA e as aplicações não estão perdendo para IPCA – avalia Jurcevic.
Depois da Bolsa, os fundos multimercados – que investem em diferentes seguimentos, como juros, moedas e ações – se revelaram q pior aplicação, como rentabilidade de apenas 0,11% no mês, perdendo até a poupança, que teve um modesto 0,66%. Para Felipe Cruz, gestor da Argúcia Capital Management, o mau desempenho dos multimercados também está relacionado ao investimentos dos gestores das carteiras em ações.
Para quem se anima ao ver o dólar subindo, o gerente de câmbio da Corretora Liquidez, Francisco Carvalho, não acredita que o movimento de alta se mantenha. Para ele, a moeda, que fechou o mês a R$ 1,635, não deve passar de R4 1,65 em setembro e de 1,70 até o fim do ano, o que pode significar um ganho pequeno, de 4% até lá, se a variação se confirmar.