BC entra no jogo e compra mais dólares Por dentro do Mercado Eduardo Campos BC faz dois leilões de compra à vista, mas dólar cai a R$ 1,725 OBanco Central (BC) entrou para o jogo no mercado de câmbio. Pela primeira vez desde 3 de maio, a autoridade monetária fez dois leilões de compra no mercado à vista em um mesmo pregão. Mas, ainda assim, o dólar comercial e os contratos futuros fecharam o pregão com variação negativa. A segunda atuação do BC aconteceu por volta das 16 horas e conseguiu conter a pressão de venda. O BC comprou moeda a R$ 1,7248, acima do preço praticado pelo mercado que rondava
R$ 1,722/R$ 1,723. Ainda assim, ao fim da jornada, o dólar comercial valia R$ 1,725, queda de 0,11% (veja gráfico abaixo) e, novamente, menor preço desde o R$ 1,720 de 4 de janeiro. Na mínima, o dólar foi a 1,721. No mercado futuro, o dólar para outubro também cedeu 0,11%, para fechar a R$ 1,734, depois de cair a R$ 1,7285. Conforme notou o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, com essa atuação mais firme do BC o mercado pode ficar reticente em ampliar as posições vendidas. No entanto, lembra o especialista, o mercado é soberano e se a oferta, ou mesmo expectativa de oferta, for elevada, o preço da moeda vai cair. Cabe lembrar que, além dos dólares da oferta da Petrobras, o mercado está às voltas com uma série de captações externas de outras empresas, como Vale, Telemar, BNDES e Odebrecht. Por baixo, as operações dessas quatro empresas passam dos US$ 4 bilhões. Tal movimentação coincide com o fim do período de férias no hemisfério Norte, que tinha tirado as captações do radar. Na avaliação do economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, essa atuação mais agressiva do BC no mercado sinaliza apenas uma coisa: que a trajetória para a taxa de câmbio é mesmo de baixa. O que o BC consegue fazer com as atuações diárias é tentar suavizar a queda de preço da moeda. Ainda de acordo com Velho, não faz sentido esperar que o BC trabalhe pela valorização do dólar. “Essas taxa de câmbio baixa é importante para ele, pois ameniza a alta das commodities e o impacto disso na inflação.” Para o diretor da Pioneer Corretora, João Medeiros, esse tipo de atuação descaracteriza cada vez mais o regime de câmbio flutuante. “O BC sabe de todas essas colocações externas e vai tentar segurar a taxa.” Cabe lembrar que o discurso oficial é de que não existe meta cambial, mas sim meta de inflação. Enquanto esse fluxo esperado não se materializa, quanto mais o BC compra, mais os bancos ampliam suas posições vendidas no mercado à vista. Em agosto, o montante foi a US$ 13,72 bilhões, vindo de US$ 10 bilhões em julho (veja gráfico abaixo). Mas já dá para estimar que essa posição vendida esteja em US$ 14,2 bilhões agora em setembro, tomando como base o saldo cambial e as compras do BC nos três primeiros dias úteis do mês. Tal montante é o segundo maior da série histórica, que registra posição vendida de US$ 15,79 bilhões em maio de 2007. Vale lembrar que 2007 foi marcado por 76 ofertas de ações, que contaram com massiva participação de investidores estrangeiros. Fato que contribuiu para o fluxo cambial positivo de US$ 87,45 bilhões no ano. Apenas entre janeiro e agosto daquele ano, o fluxo estava positivo em R$ 70 bilhões. No mesmo período de 2010, a sobra de dólares é de US$ 3,40 bilhões. Fica a dúvida sobre o que pode acontecer caso esse fluxo esperado não se materialize. Eduardo Campos é repórter E-mail eduardo.campos@valor.com.br O Banco Central entrou no jogo no mercado de câmbio. Pela primeira vez desde 3 de maio, a BC fez dois leilões de compra no mercado à vista