SÃO PAULO - Embalados pelo bom humor do mercado externo e pela expectativa de que a capitalização da Petrobras deve sair mesmo do papel, os investidores foram às vendas no mercado de câmbio local. Com isso, o dólar comercial fechou abaixo de R$ 1,75 pela primeira vez desde maio.
Depois de fazer mínima a R$ 1,739, o dólar recuperou um pouco de fôlego, mas, ainda assim, terminou o dia valendo R$ 1,747, o que representa queda de 0,56% e menor preço desde 3 de maio, quando encerrou a R$ 1,732. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 2,1 bilhões.
Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM F) o dólar apontava desvalorização de 0,51%, para R$ 1,7468. O volume subiu de US$ 175,58 milhões para US$ 205,75 milhões.
Já no mercado futuro, o dólar com vencimento para outubro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM F), marcava baixa de 0,56%, a R$ 1,7565, antes do ajuste final de posições.
De acordo com o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, a perspectiva de fluxo de dólares é o que explica esse comportamento da moeda.
Segundo Paiva, sinal evidente de que o mercado espera uma entrada relevante de recursos no país são as posições vendidas (aposta pró-real) tanto no mercado futuro quanto no à vista.
Na BM F, os estrangeiros fecharam o mês de agosto com US$ 9,64 bilhões em posição vendida em dólar futuro (US$ 7,59 bilhões) e cupom cambial (US$ 2,05 bilhões). Tal volume é o maior desde 13 de julho de 2007, quando a exposição ao real somava US$ 10,32 bilhões.
Na ponta compradora, seguem os bancos, com US$ 5,03 bilhões em dólar futuro. Outros US$ 3,28 bilhões em posição comprada está com o grupo "outras pessoas jurídicas financeiras."
No mercado à vista, os dados apresentados hoje pelo Banco Central permitem estimar que a posição vendida dos bancos foi acima dos US$ 13 bilhões até a sexta-feira, dia 27.
Paiva lembra que além dos possíveis bilhões de dólares da Petrobras, o mercado aguarda a entrada de captações externas da NET, Braskem, Odebrecht e outras.
O assunto capitalização da Petrobras segue no radar. Duas reuniões estão previstas para acontecer ainda hoje, em Brasília, que podem resolver o impasse sobre o preço do barril na cessão onerosa, o que abre caminho para a oferta de ações da estatal.
Ainda de acordo com o especialista, em dias como o de hoje, marcado pelo apetite por risco em âmbito global, não tem mesmo como segurar muito o preço da moeda.
Dados positivos sobre a economia chinesa deram fôlego a uma retomada das compras nas bolsas de valores, nas commodities e outros ativos de risco.
(Eduardo Campos | Valor)