SÃO PAULO - A quinta-feira foi bastante instável nos mercados locais e externos. O tom negativo do começo do pregão perdeu força no fim do dia e levou as bolsas de valores a reverter as perdas da jornada. O câmbio escapou dessa melhora em função do horário de funcionamento e o dólar voltou a ganhar do real. Já os contratos de juros futuros retomaram o movimento de baixa.
O pregão pode ser dividido em dois momentos distintos. Os investidores começaram o dia reagindo aos números da economia chinesa, que confirmaram uma redução no ritmo de crescimento ao longo do segundo trimestre. Fora isso, os dados de inflação e produção nos Estados Unidos também serviram de estímulo às vendas nas bolsas.
Acontece que na última meia hora de pregão duas notícias que saíram nos EUA promoveram forte reversão de posições. Primeiro, a petrolífera BP anunciou que obteve sucesso na operação para conter o vazamento de petróleo no fundo do Golfo do México.
Depois, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (Securities and Exchange Commission - SEC) disse que após o encerramento faria um "anúncio importante", o que causou furor, especialmente com as ações do Goldman Sachs.
Findo o pregão, a SEC fez seu anúncio. O Goldman Sachs aceitou pagar US$ 500 milhões para encerrar a investigação envolvendo operações de derivativos atrelados a contratos de hipotecas de alto risco (subprime).
Com o apoio dessas duas informações, o Dow Jones teve um forte repique de alta, chegando a operar em terreno positivo antes de fechar com leve desvalorização de 0,07%, aos 10.359 pontos. Já o S & P 500 não devolveu os ganhos tardios e encerrou com leve alta de 0,12%, a 1.096 pontos. Enquanto o Nasdaq cedeu 0,03%, a 2.249 pontos.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou tal movimentação e encerrou com leve alta de 0,02%, a 63.489 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,07 bilhões.
Cabe lembrar ainda que o Congresso americano aprovou projeto de lei que trata da reforma financeira do país.
"A aprovação da reforma financeira americana, a maior desde a Grande Depressão, animou os investidores, porque visa a fazer uma regulamentação maior, para se evitar o que se passou em 2008. O anúncio da BP também foi positivo e deu força para as bolsas fecharem próximas da estabilidade", afirmou o operador da Um Investimentos, Paulo Hegg.
Passando para o câmbio, pela terceira vez na semana o dólar comercial testou e respeitou a linha de R$ 1,75.
Conforme notou o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, é natural que o dólar ganhe mesmo um pouco de valor, pois os indicadores técnicos não sugerem mais vendas nessa linha de preço.
O especialista também lembrou que ao redor de R$ 1,75 muitos agentes que estavam com posição vendida, ou seja, apostando no real, realizam lucros. Essa parte do mercado vendeu dólares quando o preço da moeda era mais alto, e agora remonta a posição pagando menos pela moeda estrangeira.
Depois de cair a R$ 1,752 na mínima, o dólar comercial encerrou a jornada com alta de 0,45%, aos R$ 1,772 na venda. Na semana, a divisa já ganhou 0,62%.
O que chamou atenção foi o elevado volume negociado no interbancário. O giro estimado para o dia passou de US$ 4,5 bilhões, o que dá respaldo à conversa dos operadores sobre grandes remessas de dólares para fora do país.
Na roda de pronto, da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com alta de 0,43%, negociado a R$ 1,7721. O volume somou US$ 161 milhões, 17% a menos do que o registrado um dia antes.
No câmbio externo, o destaque ficou com o euro, que subiu firme ante o dólar, retomando a linha de US$ 1,29 - preço não observado em mais de dois meses.
A moeda reflete a melhora na confiança dos agentes na zona do euro depois que a Espanha teve facilidade em captar 3 bilhões de euros em notas de 15 anos. Vale lembrar que nessa semana a Grécia também não encontrou dificuldades para se financiar no mercado de dívida.
Já no mercado de juros futuros, depois do ajuste de alta registrado na quarta-feira, os contratos de prazo mais dilatado voltaram a apontar para baixo na BM & F.
Segundo o gestor da Modal Asset, André Simões Cardoso, o arrefecimento da inflação corrente leva o mercado a esperar um Banco Central menos conservador no ajuste da política monetária. Sinal disso é que a curva futura sugere um redução no ritmo de alta da taxa Selic.
No entanto, pondera Cardoso, essa queda da inflação tem uma influencia sazonal muito grande, ou seja, os preços podem voltar a subir até o fim do ano.
Em função desse risco, e considerando também que atividade segue muito forte, o gestor não acredita que o BC vá mudar o passo de ajuste da taxa básica de juros.
Na visão de Cardoso, a Selic deve ter reajuste de 0,75 ponto percentual na reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom) e também no encontro de setembro do colegiado.
Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2010 registrava alta de 0,03 ponto, a 10,53%. Setembro de 2010 ganhava 0,02 ponto, a 10,71%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, registrava queda de 0,03 ponto, a 11,15%, menor taxa em um cerca de um mês.
Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 caía 0,06 ponto, a 11,70%. Janeiro de 2013 devolvia 0,03 ponto, a 11,96%. E janeiro 2014 recuava 0,02 ponto, a 12,02%.
Até as 16 horas, foram negociados 1.305.350 contratos, equivalentes a R$ 116,86 bilhões (US$ 66,18 bilhões), alta de 44% sobre o registrado um dia antes. O vencimento de janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 438.910 contratos, equivalentes a R$ 41,76 bilhões (US$ 23,65 bilhões).
(Eduardo Campos | Valor)