O dólar fechou em alta ante o real nesta segunda-feira, acompanhando o movimento global das moedas e de olho no mau humor dos mercados acionários internacionais, que espelhavam o aumento da aversão a risco após a divulgação de dados econômicos ruins.
A divisa norte-americana subiu 1,4 por cento, cotada a 1,954 real. Apesar da alta nesta sessão, o dólar ainda se mantém nos menores níveis em cerca de oito meses ante o real.
"Hoje o fator principal é o movimento externo. Os dados nos Estados Unidos e na Europa vieram ruins e isso está pressionando o dólar aqui" considerou Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.
Ele se referiu ao setor manufatureiro de Nova York, que se contraiu em junho a uma taxa muito mais severa que a prevista. O dado estimulava investidores a dar uma pausa nas compras de ações, em busca de sinais mais concretos de recuperação da economia.
Para o analista de câmbio da Liquidez Corretora, Mário Paiva, a alta do dólar refletiu o movimento de realização de lucro no mercado acionário. "A alta de hoje foi pontual, mas a tendência de queda predomina."
As bolsas de valores em Wall Street cediam mais de 2 por cento no momento em que os negócioss no mercado de câmbio doméstico se encerraram. O mau humor lá fora contaminava a bolsa paulista, que despencava 3 por cento.
Na Europa, os mercados acionários terminaram em queda, depois de o Banco Central Europeu (BCE) informar que os bancos da zona do euro enfrentam potenciais novas baixas contábeis no valor de 283 bilhões de dólares até o final de 2010.
A valorização do dólar no mercado doméstico ocorreu em linha com uma alta global. Frente a uma cesta com as principais divisas mundiais, a moeda dos Estados Unidos subia 1,3 por cento no final da tarde.
O dólar ganhou terreno após a Rússia expressar confiança na divisa norte-americana. Durante encontro dos ministros de Finanças do G8 na Itália, Alexei Krudin, da Rússia, disse que o papel do dólar como principal moeda de reserva de valor do mundo provavelmente não mudará no futuro próximo.
FLUXO POSITIVO
Nobrega, do Banco Alfa, acredita que a alta do dólar nesta sessão não deve ser enxergada como tendência. "No curto prazo, a gente vê o real apreciado, com o fluxo externo ainda positivo", disse o gerente.
Ele citou os dados da balança comercial brasileira, que registrou superávit de 737 milhões de dólares na segunda semana de junho, com quatro dias úteis. No mês, a balança acumula agora superávit de 1,9 bilhão de dólares e, no ano, o saldo está positivo em 11,3 bilhões de dólares.
No pregão de dólar à vista da BM&F, segundo dados preliminares, o volume negociado era de cerca de 1,6 bilhão de dólares.
(Reportagem de José de Castro e Silvia Rosa)