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06 MAI

A Bovespa, o dólar e os mercados mundiais neste dia 6 de maio

Fonte: Valor Online
RIO DE JANEIRO -

RIO - Uma reviravolta no mercado ao longo do dia chegou a fazer o dólar disparar mais de 5% e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencar mais de 6%. Mas por volta das 16h30, o Ibovespa, índice de referência da bolsa brasileira, reduziu as perdas e caía 3,17%. O dólar fechou o dia em alta de 2,94%, cotado a R$ 1,851. As preocupações com relação à situação econômica da Grécia e de outros países europeus se agravaram e levaram a fortes quedas nos Estados Unidos. O índice Dow Jones perdia 3,83%, enquanto o Nasdaq tinha queda de 3,49% e o S&P 500, 3,68%.

- Houve um desespero geral no mercado. O dólar estava subindo muito e a bolsa estava esquisita, caindo pouco. Mas a preocupação com a Europa se agravou nos Estados Unidos e algum fundo deve ter entrado no mercado vendendo grande volume e acionando os mecanismos de stop-loss dos demais players - afirmou o analista da Wyn Trade, José Goés.

- O mercado externo perdeu todos os parâmetros. Estávamos até nos aguentando com um cenário melhor de Petrobras e Vale, mas, agora, a Bovespa está aprofundando as perdas e não há como segurar - comentou o operador da SLW Corretora, Marcelo Moura.

Segundo o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, essa alta do dólar é explicada pelo que se chama de "stop loss", ou seja, quem tinha posição vendida (aposta pró-real) é obrigado a virar a mão para não sofrer prejuízos ainda maiores.

- A única coisa a fazer é comprar dólar.

Ainda de acordo com Paiva, a aversão ao risco em âmbito global não serve apenas de gatilho para esse movimento, mas também amplifica essa necessidade de cobertura de posições.

Paiva também lembra que com a alta de mais de 6% do dólar em três pregões, mudou a banda de oscilação da moeda americana para R$ 1,750 a R$ 1,90.

O mercado fechou com tendências mistas na Europa. A Bolsa de Frankfurt teve queda de 0,84%, acompanhada por recuo de 1,52% em Londres. A bolsa de Paris, por sua vez, subiu 0,58%.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), apontou que os riscos para a inflação motivaram a alta de juros. o cenário exigiu uma ação 'incisiva' da política monetária.

Na Europa, os mercados fecharam em tendências mistas, após a decisão do banco central europeu em manter inalterada em 1% a taxa de juros na região.

O presidente do BCE, Jean Claude Trichet, revelou que o conselho da instituição não discutiu a compra de títulos dos governos no mercado, o que é visto por analistas como uma maneira de atenuar a crise europeia.

Por outro lado, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, fez um discurso com tom otimista, afirmando que vê perspectivas positivas para o aumento do crédito.

- A falta de dados fortes e o desencontro de declarações entre os líderes está deixando o mercado volátil. O risco de contágio na Europa continua o foco e, até que haja clareza dos líderes de que não vão deixar ninguém quebrar, a incerteza vai continuar - afirma o estrategista para pessoa física do Banco Fator, Richard Whaba.

Confira o comentário do economista Álvaro Bandeira, da Ágora Corretora, sobre o dia nos mercados

Bolsas asiáticas em queda

O mercado de Tóquio teve a maior queda desde março de 2009, de 3,27%, na volta de um feriado de três dias. A bolsa de Hong Kong perdeu 0,96%. Em Xangai, houve queda de 4,11%, a pior performance desde meados de abril. Essas praças foram abatidas também por preocupações sobre a possibilidade de mais medidas do governo chinês para conter a especulação no setor imobiliário, desaquecendo-o.

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