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04 MAR

Fluxo cambial fica negativo pela 1ª vez após 11 meses / com Mário Paiva

Fonte: O Estado de S. Paulo
Brasília -

O enfraquecimento do saldo da balança comercial levou o Brasil a registrar, em fevereiro, volume maior de saída do que de entrada de moeda estrangeira no mercado de câmbio, interrompendo 11 meses seguidos de resultados positivos. De acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central, o fluxo cambial no mês passado foi negativo em US$ 399 milhões. A última vez em que isso ocorreu foi em março de 2009, quando a crise internacional ainda estava forte e o saldo cambial foi negativo em US$ 797 milhões.

A aceleração nas importações, combinada com a queda no ritmo das exportações, foi decisiva para o saldo negativo de fevereiro. O chamado fluxo comercial teve déficit de US$ 2,29 bilhões. Isso foi só parcialmente compensado pelo fluxo financeiro (contabiliza os investimentos diretos no setor produtivo, em ações, renda fixa, e as remessas de lucros, entre outros itens), que teve saldo positivo de US$ 1,89 bilhão. Ou seja, a tendência de piora na balança comercial foi marcante para o mercado de câmbio no mês passado.

Para o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mário Paiva, o resultado de fevereiro não deve ser visto como uma tendência de saldos negativos no fluxo cambial neste ano. Segundo ele, apesar de a trajetória do câmbio comercial ser de resultados mais fracos, e algumas vezes até negativos como em fevereiro, do lado financeiro a expectativa é bastante favorável, por causa dos fundamentos da economia brasileira.

"O Brasil tem uma postura econômica que agrada ao investidor estrangeiro", disse Paiva, mencionando fatores com as elevadas reservas internacionais e a expectativa de queda na dívida em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) este ano: "A tendência é que o fluxo fique positivo no ano entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. O Brasil é visto como um País confiável".

Apesar do saldo negativo de fevereiro, o fluxo de dólares para o Brasil no acumulado do ano ainda é positivo em US$ 676 milhões, resultado de um déficit comercial de US$ 2,43 bilhões e um superávit financeiro de US$ 3,11 bilhões. No mesmo período, o Banco Central adquiriu no mercado de câmbio à vista US$ 2,06 bilhões para as reservas internacionais. Em fevereiro, mesmo com saída líquida de dólares, o BC comprou US$ 350 milhões.

Essa postura do BC de adquirir moeda estrangeira acima do fluxo é questionada por alguns analistas de mercado. Eles apontam o custo fiscal dessas operações como uma despesa desnecessária, já que o nível das reservas estaria alto o suficiente para funcionar como um seguro contra a crise. Na direção contrária, o BC considera importante manter a estratégia de acumulação de reservas e acredita que a política de adquirir o volume equivalente ao fluxo cambial deve ser olhada em um horizonte de mais longo prazo.

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