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06 JAN

Bovespa teve 7º pregão de alta e dólar foi a R$ 1,731 / com Mário Paiva

Fonte: Valor Online
São Paulo -

A terça-feira não teve o mesmo brilho do pregão de abertura de 2010. A instabilidade falou alto durante todo o pregão, mas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conquistou nova sessão de avanço, a sétima seguida, e confirmou a linha dos 70 mil pontos. No câmbio, o dia foi de ajuste e o real perdeu para o dólar. Já no mercado de juros futuros, os contratos devolveram prêmio conforme os agentes reviram as apostas quanto ao comportamento da produção industrial de novembro, dado que será divulgado hoje.

No campo externo, também faltou consenso entre os agentes. O Dow Jones caiu 0,11%, enquanto o S P 500 subiu 0,31%. Já o Nasdaq fechou estável aos 2.308 pontos (ganho de 0,01%). Na agenda do dia, as encomendas à indústria subiram 1,1% em novembro, superando o ganho de 0,8% previsto pelos analistas. No entanto, o índice que mede a venda pendente de imóveis desabou 16% em novembro, mostrando que menos americanos assinaram contratos para a compra de imóveis.

De volta à bolsa local, o Ibovespa chegou a operar em baixa, mas a força das ações da Vale e OGX aliada à disparada de preço de TIM ON e ALL Logística unit garantiram fechamento em terreno positivo.

O índice avançou 0,28%, para 70.239 pontos. O giro financeiro foi elevado, somando R$ 7,11 bilhões. Tal pontuação só é menor que os 71.209 pontos de 5 de junho de 2008. Cabe lembrar também que uma sequência de sete dias de valorização não era registrada desde fevereiro de 2008.

Para o diretor da Corretora Máxima, José Costa Gonçalves, se pudéssemos isolar o Brasil do resto do mundo, o tom comprador do mercado seguiria como está. No entanto, como há um "imbróglio" de alguns trilhões de dólares que não foi resolvido no mercado externo, cabe alguma cautela por parte do investidor. " O Brasil deu show em 2009, mas o investidor tem que ficar atento. "

O ponto de preocupação do especialista envolve quando e como serão retirados os estímulos fiscais e monetários utilizados para conter os efeitos da crise. De acordo com Costa, quanto mais tempo levar, mais os agentes vão se alavancar em cima desses recursos " baratos " , e mais complicado pode ser o ajuste.

Voltando o foco para a Bovespa, Costa acredita que, em função das pendências com os bancos externos e com as economias maduras, o setor externo deve ficar um pouco de lado em 2010. As atenções, segundo o especialista, devem ficar no mercado interno, mas a questão é saber selecionar as empresas dentro dos setores de consumo, construção e infraestrutura. " O mercado pode andar bem em 2010, mas tem que pegar uma lupa e escolher bem as empresas. "

No câmbio, o real perdeu espaço para o dólar como outras moedas de países desenvolvidos e emergentes. Para o analista da BGC Liquidez Corretora, Mário Paiva, o pregão da terça-feira pode ser visto como um ajuste depois da queda acentuada registrada na abertura do ano. Fora isso, lembra o especialista, sempre que o dólar se aproxima do suporte de R$ 1,70 os compradores aparecem no mercado.

Na avaliação do analista, a moeda deve continuar respeitando a banda de R$ 1,70 a R$ 1,80 ao longo do ano. Alguma mudança nessa faixa só acontece no caso de algum evento mudar o nível de aversão ao risco.

Depois de cair R$ 1,717 pela manhã, o dólar comercial terminou o dia com apreciação de 0,63%, a R$ 1,729 na compra e R$ 1,731 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM F) o dólar ganhou 0,53%, para R$ 1,7307. O volume ficou em US$ 141,75 milhões. Já no interbancário, os negócios somaram US$ 2 bilhões.

Ainda de acordo com Paiva, o ponto de incerteza pelo front doméstico continua sendo o modo de operação do fundo soberano brasileiro.

Há dúvida quanto ao modo de operação do fundo, que poderá comprar ativos internacionais. A interpretação atual é de que o Tesouro poderá se tornar um novo comprador de dólares.

Os contratos de juros futuros mudaram de direção e fecharam o dia apontando para baixo na BM F. Segundo um operador de mercado que preferiu não se identificar, a reversão das apostas envolveu a divulgação dos dados sobre a produção industrial brasileira de novembro.

O especialista observou que o consenso de mercado sugere crescimento de cerca de 1% na variação mensal, mas na tarde de ontem começou a correr pelas mesas que o resultado seria mais fraco; por isso, as taxas passaram a recuar.

Com isso, ao fim da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,03 ponto, a 10,43%, depois de subir a 10,49%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,02 ponto, a 11,78%. E janeiro de 2013 também caiu 0,02 ponto, projetando 12,37%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, devolveu 0,01 ponto, a 9,17%. Com menor liquidez, abril de 2010 cedeu 0,02 ponto, para 8,70%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 616.270 contratos, equivalentes a R$ 55,15 bilhões (US$ 31,99 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 214.680 contratos, equivalentes a R$ 19,45 bilhões (US$ 11,28 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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