O dólar comercial fechou em alta acentuada um dia depois de o governo anunciar a taxação em 1,5% dos ADRs, papéis de empresas negociados nos mercados internacionais. A moeda subiu 0,99%, a R$ 1,734, acumulando avanço de 0,70% na semana. Apesar disso, a divisa ainda recua 1,31% em novembro e 25,80% no ano.
O analista de câmbio da corretora Liquidez Mario Paiva avalia que o novo imposto contribuiu para valorização do dólar à medida que gerou incerteza em relação do marco regulatório brasileiro e levantou rumores de que outros mercados emergentes pudessem adotar medidas semelhantes.
A Rússia negou que vá taxar a entrada de recurso estrangeiro no momento, mas não descartou a adoção de alguma medida de impacto moderado no futuro. Além disso, explica Paiva, a moeda americana também foi impulsionada pelo clima negativo no mercado acionário global, o que normalmente leva investidores a comprar dólares. Temores sobre a solidez da recuperação da economia mundial fizeram as bolsas recuarem no Brasil e nos EUA pelo segundo dia seguido.
- O discurso de Obama na quarta-feira, alertando para o risco de nova recessão nos Estados Unidos, provocou uma realização (venda de ações para embolsar lucros) nas bolsas - disse Paiva.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que chegou a recuar 1,45% devido a forte queda das bolsas americanas, fechou em leve baixa, sustentada pela valorização das ações de Petrobras e Vale. O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, cedeu apenas 0,28%, a 66.327 pontos. Na semana, o indicador avançou 1,53%, acumulando valorização de 7,77% no mês e de 76,64% no ano.
A ação PN da Petrobras, que mostrou força durante toda a semana, subiu 0,79%, para R$ 38,50, acumulando ganhos de 3,69% nos últimos quatro pregões. Vale PNA, que também avançou mais do que o Ibovespa na semana (3,41%), fechou com alta de 0,47%, a R$ 42,50. Especialistas acreditam que a empresa vai conseguir um bom reajuste no preço do minério de ferro vendido para a China no próximo ano.
Já as ações da Petrobras subiram, principalmente, por causa do anúncio feito pela empresa na quarta-feira à noite de que concluiu dois testes de formação no poço 4-RJS-647, na parte norte da área de Tupi, registrando elevado potencial de produtividade.
- A notícia foi muito positiva. A produtividade maior dilui os custos de exploração, que são muito elevadas no pré-sal - destacou o analista do Banco Geração Futuro Lucas Brendler.
Fora do Ibovespa, Amil ON disparou 10,41% a R$ 13,15; e Medial ON saltou 11,49% a R$ 16,39, com 1.192 negócios, acima da média do último mês. A Amil Participações anunciou nesta quinta-feira acordo com os controladores da Medial Saúde para comprar 51,9% do capital da empresa, por R$ 612,5 milhões em dinheiro , em meio à recente onda de fusões e aquisições no setor segurador que até agora sempre envolveram um banco de grande porte na ponta compradora. A operação consolida a posição de líder da Amil no mercado brasileiro de planos de saúde.
A Amil divulgou ainda que fará uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) das ações da Medial nas mãos de minoritários "em igualdade de condições, inclusive preço, àquelas acordadas com os acionistas controladores da Medial Saúde".
Segundo a Amil, o valor atribuído por ação da Medial Saúde na operação é de R$ 17,20 - o que embute um prêmio de 17% sobre o fechamento do papel na Bolsa na quarta-feira, de R$ 14,70. O preço por ação da Medial Participações no acordo com os controladores é de cerca de R$ 8,40.
Em Nova York, o índice industrial Dow Jones recuou 0,90%, enquanto o Nasdaq, das ações de tecnologia, perdeu 1,66% e o S&P500, 1,34%.
Nesta quinta-feira foi divulgado que o índice dos indicadores antecedentes dos Estados Unidos - que sugere a direção da economia nos próximos três a seis meses - teve alta de 0,3% em outubro, após uma elevação de 1% em setembro e de 0,4% em agosto. O resultado veio levemente abaixo do que esperavam os economistas.
Segundo informou o Departamento do Trabalho pela manhã, os pedidos de seguro-desemprego nos EUA somaram 505 mil na semana terminada no dia 14 deste mês, mesmo número de uma semana antes.
Na média das quatro últimas semanas, houve, no entanto, um recuo de 6,5 mil em relação à média anterior, para 514 mil, no comparativo com os 520,5 mil da leitura antecedente.