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23 OUT

Cotação do dólar ameaça subir, mas fecha estável / Mário Paiva

Fonte: Reuters
São Paulo -

Por Tatiana Gurjão

A cotação do dólar ante o real permaneceu estável na sessão interbancária de quinta-feira na comparação com o fechamento da véspera. A unidade dos Estados Unidos encerrou o dia a R$ 1,723 na compra e R$ 1,725 na venda.
O Banco Central adquiriu dólares em leilão entre 12h30 e 12h40, quando fixou a taxa de corte em R$ 1,7344. A Ptax foi cotada a R$ 1,7296 na compra e a R$ 1,7304 na venda.

Apesar de ter começado o dia em alta – cotado a R$ 1,74 – a divisa americana declinou em toda a sessão. Operadores de três corretoras relataram que o mercado assistiu a algumas operações de entrada de capitais com volume acima da média, mesmo com a alíquota de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) adotada esta semana. “O volume está um pouco mais acentuado”, disse Gabriel Aguilera, operador de câmbio da Flow Corretora.

Outras notícias também favoreceram a expectativa que a entrada de dólares no País continuará. A empresa de TV por assinatura NET planeja a emissão de US$ 300 milhões em bônus de 10 anos no exterior, segundo fontes. Além disso, a companhia aérea TAM lançou operação com volume e prazo semelhantes e o conselho da Natura, na noite de quarta-feira, autorizou a emissão de US$ 350 milhões em debêntures. A expectativa é que essas operações despertem o interesse de investidores estrangeiros.

As operações no mercado de capitais, como a venda de units do Santander Brasil, foram as principais responsáveis pela entrada líquida de mais de US$ 10 bilhões no País na primeira metade de outubro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou, na quinta-feira, que não pretende alterar a cobrança de IOF. Segundo Mantega, o momento é esperar para ver os resultados da ação.

“Não estou pensando em medidas adicionais no momento. Vamos levar um tempo para ver as repercussões da medida, que creio serão positivas. Ela não é a salvação da lavoura, mas tem por objetivo evitar excessos, atenuar a valorização do real e ação especulativa na bolsa brasileira.”

De acordo com reportagem do jornal Financial Times, o Brasil é vítima do próprio sucesso. O jornal ressalta que o Brasil, com a economia sólida, terá de conviver com um real fortalecido, e que a medida é justa por cobrar o tributo na entrada ao invés de no momento do resgate.

Condições Favoráveis. Mário Paiva, analista de câmbio da Liquidez Corretora, diz que a ação é paliativa. Segundo ele, taxar o capital imigrante não é a medida mais eficaz. Isso, porém, não será o suficiente para afugentar investimento externo. “O céu está de brigadeiro e o (ministro) Mantega de almirante. O real valorizado é resultado de uma equação onde entram os três graus de investimento, a elevada taxa de juros e a política monetária.”

Segundo Paiva, ainda entrarão muitos dólares no Brasil, o que elevará, ainda mais, o custo de carregar posição comprada na moeda americana.

No turismo, a unidade dos Estados Unidos seguiu caminho oposto, e angariou 1,12% a R$ 1,66 para compra e R$ 1,80 para venda.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar viva voz recuou 0,4%, a R$ 1,729. A rodada movimentou R$ 310.432 milhões. Foram realizados 64 negócios, contra 55 na sessão anterior. O dólar foi negociado com elevação nos contratos futuros. Para novembro, fechou a R$ 1,730; para dezembro, a R$ 1,740; e para janeiro, a R$ 1,750.

O euro andou em posições antagônicas. O comercial se desvalorizou em 0,12%, a R$ 2,587 para compra e R$ 2,591 para venda, enquanto no turismo ascendeu 0,75%, a R$ 2,45 comprado e a R$ 2,75 vendido.

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