A formação da taxa de câmbio não escapou da piora de humor generalizada que puxou o preço de ações e commodities para baixo nesta sexta-feira. A moeda americana subiu contra o real, mas ainda está na casa de R$ 1,70.
Na máxima do dia, o dólar comercial foi negociado a R$ 1,726, mas as compras perderam fôlego e a divisa fechou o dia a R$ 1,706 na compra e R$ 1,708 na venda, ainda assim alta de 0,47%. Na semana, a moeda perdeu 1,67% e, no mês, a desvalorização acumulada chega a 3,61%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM F), o dólar ganhou 0,42%, para fechar a R$ 1,7065. O volume negociado avançou 10%, para US$ 205,5 milhões. Já no interbancário os negócios caíram 10%, somando US$ 1,7 bilhão.
O analista de câmbio da BGC Liquidez Corretora, Mário Paiva, destaca que a leve alta registrada pela moeda no pregão de hoje reflete o mau humor externo decorrente de fracos resultados trimestrais apresentados por Bank of American, General Electric e IBM.
Paiva lembra que o importante não é se a empresa teve lucro ou prejuízo, mas se atendeu às expectativas do mercado. No caso dessas empresas, em algum ponto do balanço eles decepcionaram.
Voltando ao câmbio, o analista aponta que a tendência de baixa para o preço do dólar permanece intacta não só no mercado local, mas no mundo inteiro. " Aquela que foi a moeda forte já não é mais " , diz Paiva, lembrando que uma série de países já considera utilizar uma cesta de moedas em substituição ao dólar na construção de reservas.
No mercado local, o especialista aponta que a expectativa de fluxo continua boa tanto pelo lado financeiro quanto comercial. " O estrangeiro segue gostando do Brasil como mercado emergente. "
Desmentindo notícias que corriam pelas mesas de operação durante a manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o governo não tem planos para taxar o capital externo. " Tal coisa não existe " , disse o presidente em entrevista.
(Eduardo Campos | Valor)