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14 OUT

Dólar fecha a R$ 1,703, menor cotação em 13 meses. Bovespa supera 66 mil pontos, maior nível desde junho de 2008 / com Francisco Carvalho

Fonte: Reuters
Rio de Janeiro -

O forte otimismo do mercado mundial - devido ao anúncio de bons resultados trimestrais de empresas americanas como JP Morgan e Intel e a dados positivos sobre a economia chinesa - provocou a alta das bolsas e a forte desvalorização do dólar nesta quarta-feira. Aqui no Brasil, a moeda americana fechou a R$ 1,703, com queda de 1,39%.

É a menor cotação desde 3 de setembro de 2008, quando a moeda valia R$ 1,67. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou pelo terceiro pregão seguido com pontuação recorde no ano, superando os 66 mil pontos pela primeira vez desde 19 de junho de 2008. O Ibovespa, principal indicador do mercado brasileiro, aumentou 2,41%, a 66.201 pontos.

O volume negociado ficou em R$ 14,495 bilhões, inflado também pelo vencimento do índice futuro. Destaque para as ações da Vale que subiram mais de 4%. Ações de siderúrgicas também dispararam.

O dólar vem perdendo força frente às principais moedas mundiais. Mas a desvalorização é maior ante às moedas emergentes, explica o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho. Segundo ele, isso ocorre devido ao maior fluxo de recursos para esses países.

De acordo com dados do Banco Central, a entrada líquida de recursos estrangeiros no Brasil somou US$ 3,725 bilhões nos sete primeiros dias úteis do mês. O resultado é mais do que o dobro da entrada líquida apurada em todo o mês de setembro, que foi de US$ 1,365 bilhão. O segmento financeiro foi o que garantiu o fluxo de moeda, inflado por operações como o lançamento de ações do Santander.

Comprovando a forte procura por papéis brasileiros, ontem o Banco do Brasil (BB) realizou uma captação de US$ 1,5 bilhão no mercado externo ao emitir bônus perpétuos, ou seja, sem data de vencimento. A oferta inicial era de US$ 500 milhões, mas, como a demanda dos investidores chegou a US$ 13 bilhões, o BB decidiu emitir US$ 1,5 bilhão nos mercados asiático e europeu.

Dow Jones supera 10 mil pontos
Em Wall Street, as bolsas subiram mais de 1% e também atingiram novos patamares recordes no ano. O índice industrial Dow Jones subiu 1,47%, a 10.016 pontos. O indicador não superava 10 mil pontos desde outubro de 2008. Já o S&P 500 avançou 1,75%, a 1092,02. E o Nasdaq, das ações de tecnologia, ganhou 1,52%, a 2172,23 pontos.

O JP Morgan Chase, segundo maior banco americano, anunciou nesta quarta-feira que lucrou US$ 3,6 bilhões entre julho e setembro, o que representa um aumento de 583,1% frente aos US$ 527 milhões obtidos em igual período ano passado. Já a Intel, maior fabricante de chips do mundo, divulgou na terça-feira à noite resultado trimestral melhor que o esperado por Wall Street. A Intel teve lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre fiscal encerrado em 26 de setembro. No mesmo período de 2008, a empresa registrou lucro líquido de US$ 2,01 bilhões de dólares.

Os resultados de JP Morgan e Intel mostram que as empresas estão se recuperando mais rapidamente do que esperava o mercado
- Os resultados de JP Morgan e Intel mostram que as empresas estão se recuperando mais rapidamente do que esperava o mercado. Essas notícias, junto com bons dados macroeconômicos, fazem os investidores se arriscarem mais. No auge da crise, os investidores aplicaram em dólares e títulos americanos. Agora, com os juros baixos nos EUA e a moeda americana perdendo valor, eles estão loucos por oportunidades mais lucrativas em países como Brasil, China e Índia - explica Rossano Oltramari, analista chefe da XP Investimentos.

Oltramari chama atenção para o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta quarta-feira, que comprovou o vigor do mercado de trabalho brasileiro. De acordo com o Ministério do Trabalho, o país criou em setembro 252.617 empregos, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica do Caged, em 1992.

O otimismo deste pregão também foi sustentado por outras boas notícias econômicas. Nos Estados Unidos, as vendas no varejo caíram 1,5% em setembro, mas a queda ficou abaixo da retração de 2,1% prevista pelos economistas. Tirando os automóveis da conta, foi registrada alta de 0,5%, superior ao avanço estimado de 0,3%. Os analistas já esperavam queda na venda de automóveis devido ao fim do programa do governo que subsidiava a troca de carros velhos por novos.

Além disso, o Banco Central chinês divulgou que o volume de novos empréstimos do país aumentou em setembro, alcançando 516,7 bilhões de yuan (US$ 75,7 bilhões), ante a marca de 410,4 bilhões de yuan registrada em agosto.

O barril de petróleo WTI negociado em Nova York subiu pelo quinto dia seguido, superando os US$ 75 pela primeira vez no ano.

As bolsas europeias fecharam com ganhos acentuados. O FTSE-100, de Londres, teve alta de 1,98%, e o Xetra-DAX, de Frankfurt, aumentou 2,31%.

Ações da Vale sobem mais de 5%
De volta à Bovespa, Vale PNA teve acréscimo de 4,61%, a R$ 40,41; e Petrobras PN aumentou 0,92% a R$ 36,15. Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA ganhou 5,05%, a R$ 52,80; CSI avançou 5,04% a R$ 60,60; e Gerdau PN saltou 6,31% a R$ 28,65. Já Gerdau Metalúrgica PN disparou 6,47%, a R$ 35,89, liderando os ganhos dentro do índice.

Entre os bancos, Bradesco PN teve acréscimo de 2,48%, a R$ 37,20; e Itaú Unibanco PN se valorizou 2,77%, negociado a R$ 37,10.

Ásia fechou em alta, antes do anúncio do JP Morgan
As bolsas de valores asiáticas terminaram com ganhos, menos Tóquio. O banco central japonês anunciou sua decisão de manter mais uma vez a taxa de juro do país inalterada em 0,1%.

O índice Nikkei 225, de Tóquio, fechou em baixa de 0,16%. No campo positivo ficou o Hang Seng, de Hong Kong, com avanço de 1,95%, enquanto em Xangai, o Shanghai Composite subiu 1,17%. O Kospi, de Seul, teve valorização de 1,24%, e o Sensex, de Mumbai ganhou 1,20%.

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