Por José de Castro
Numa sexta-feira fraca de notícias econômicas relevantes, o dólar encerrou em leve alta frente ao real, com um pequeno movimento de compras no final da sessão pesando diante do baixo volume de negócios no cenário doméstico.
A moeda norte-americana fechou com valorização de 0,17 por cento, a 1,811 real na venda, no nível máximo do dia, após operar praticamente estável durante boa parte da tarde. Na mínima do dia, o dólar caiu 0,39 por cento.
"O mercado (de câmbio) esteve bastante de lado hoje; comportamento normal, se considerarmos que estamos numa sexta-feira e sem nenhuma notícia impactante no cenário econômico", disse o gerente de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, no Rio de Janeiro.
Profissionais citaram a ausência da maioria dos players do mercado nesta sessão. De acordo com dados disponíveis no site da BM&FBovespa, o giro interbancário era de 1,143 bilhão de dólares às 16h24, abaixo da média diária de setembro, de cerca de 2,1 bilhões de dólares.
No mercado de câmbio internacional, o dólar recuperava parte das recentes perdas ante as principais moedas, com os investidores demonstrando menor apetite por risco.
PERSPECTIVAS
Profissionais do mercado de câmbio têm avaliado que, no curto prazo, as previsões de queda para o dólar devem se sustentar, ancoradas por prognósticos de mais entradas de recursos.
"Os estrangeiros estão retornando à bolsa brasileira, o que significa mais dólares no mercado nacional. Isso deve pressionar as cotações do dólar para baixo", avaliou o analista de câmbio da Corretora Liquidez, Mário Paiva, no Rio de Janeiro.
Paiva lembrou operações de captação e de ofertas de ações que já ocorreram e as previstas para este ano. Segundo ele, esse é um dos principais elementos de reforço à trajetória de queda da moeda norte-americana para este ano.
Vale e CSN já captaram, enquanto Santander, Cetip e Tivit devem realizar ofertas de ações até o final de 2009.
Esse visão é partilhada pela equipe de economistas do Deutsche Bank, que revisou em relatório a projeção para o dólar no encerramento do ano a 1,75 real, ante estimativa anterior de 1,90 real, citando como motivo, além do retorno das ofertas de ações, o saldo positivo da balança comercial e a volta do investimento estrangeiro.
O BNP Paribas vai na mesma linha: "Continuamos confiantes de que a expectativa de fluxo de dólares por meio de captações e de ofertas de ações direcionará o real para cima".