Por José de Castro
Um ajuste de posições após sete sessões em alta e a desvalorização do dólar no mercado internacional justificaram a baixa da moeda norte-americana frente ao real nesta quarta-feira.
No fechamento, a divisa dos Estados Unidos recuou 1,0 por cento, para 1,886 real na venda, depois de chegar a avançar 0,84 por cento pela manhã.
Na sequência de sete sessões consecutivas de alta, o dólar acumulou apreciação de 4 por cento frente ao real.
No mercado externo, a moeda norte-americana também devolvia parte da alta recente e cedia 0,55 por cento ante uma cesta com as principais divisas mundiais no final da tarde, pressionado pela valorização do iene.
"Hoje o dólar retomou a tendência 'original' dele: de queda. Com o mercado um pouco menos avesso a risco, a moeda encontrou espaço para cair", disse o analista de câmbio da Corretora Liquidez, Mario Paiva.
Com a virada do mês, profissionais do mercado disseram que contratos futuros e de opções lastreados em dólar foram liquidados ou sofreram exercício, o que também permite que as cotações da moeda norte-americana voltem à trajetória de queda.
Além disso, as perspectivas de mais ingressos de recursos no mercado local favorecem a apreciação do real no curto prazo, com o segmento financeiro respondendo pela maior parte dessas entradas.
Nesta quarta-feira, o Banco Central revelou que o fluxo cambial em agosto estava positivo em 2,826 bilhões de dólares até o dia 28. A cifra resulta de superávit nas operações financeiras de 1,904 bilhão de dólares e saldo também positivo de 923 milhões de dólares no segmento comercial.
"Os investidores estrangeiros continuam confiando nos fundamentos econômicos do Brasil. Eles entram com investimentos e trazem dólares. Isso favorece a alta do real", acrescentou Paiva.
O BC informou ainda a compra de 2,411 bilhões de dólares no mercado de câmbio à vista em agosto, considerando operações liquidadas até o dia 28.
No mercado internacional, os investidores permaneciam cautelosos, depois de um relatório mostrar que os empregadores do setor privado norte-americano fecharam 298 mil postos de trabalho em agosto. Apesar de sinalizar uma queda no ritmo de demissões, o dado ficou um pouco acima das previsões de economistas.
A notícia de que as encomendas à indústria dos EUA subiram 1,3 por cento em julho, menos que o esperado, também pesou sobre o humor. No final da tarde, os principais índices de ações em Nova York operavam perto da estabilidade, mesmo movimento da bolsa brasileira.
(Com reportagem adicional de Silvio Cascione)