Empresa que mais perdeu funcionários nos ataques contra o World Trade Center no 11 de Setembro, a Cantor Fitzgerald fincou sua presença no Brasil após a aquisição, pela BGC Partners, de uma das corretoras líderes do mercado brasileiro, a Liquidez, de Arnaldo Cezar Coelho.
O negócio, concluído no final de junho, faz parte da estratégia da holding BGC, à qual a Cantor está ligada, de aumentar sua presença na América Latina, especialmente no Brasil. Nos últimos anos, a BGC focou sua expansão nos mercados da Ásia e da Europa.
"Agora vamos expandir os negócios na América Latina, e o Brasil se mostrou uma porta de entrada estruturada, com um mercado bem regulamentado e seguro", afirma Lee M. Amaitis, vice-chairman da BGC, que desembarcou na última semana no Brasil para conhecer de perto as operações da Liquidez.
Coelho, que de acordo com o contrato permanece consultor da empresa no Brasil durante três anos, diz que a BGC já estuda novas aquisições. "A ideia é comprar outras empresas em breve, no Chile e até mesmo no Brasil, para ser a maior."
Após ter sua empresa devastada pelo atentado terrorista de setembro de 2001, quando perdeu 658 funcionários, Howard Lutnick, dono da Cantor, se desfez do negócio. Ele vendeu na época toda a tecnologia das plataformas eletrônicas da empresa a seus concorrentes. A Cantor operava em quatro andares de uma das torres.
Lutnick sobreviveu ao atentado por ter levado o filho à escola no primeiro dia de aula. Antes do 11 de Setembro, a Cantor era responsável pela corretagem de 25% dos US$ 300 bilhões movimentados diariamente em títulos do Tesouro americano em Nova York.
Três anos depois da tragédia, em 2004, Lutnick retornou ao mercado com a BGC e o plano de alcançar a liderança global.
Após uma sequência de aquisições no mundo, a BGC atua hoje em quase 20 cidades, com mais de mil operadores, especializada na corretagem de instrumentos financeiros e produtos derivativos relacionados.
com JOANA CUNHA