Com valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), queda no preço do dólar e juros futuros apontando para baixo, a quarta-feira pode ser considerada positiva para os mercados brasileiros.
O evento mais relevante do dia foi a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que criou grandes expectativas, mas teve desfecho conforme o esperado: a taxa básica segue estável entre zero e 0,25% por um longo período de tempo.
O Fed também voltou a apontar que economia se recupera de forma gradual e que a inflação não é preocupação. O BC americano indicou que não precisa ampliar o programa de compra de títulos do Tesouro e, para promover uma transação suave, vai reduzir o ritmo dessas operações, completando o programa de US$ 300 bilhões até o fim de outubro. A ideia inicial era encerrar a compra em setembro. Até agora, já foram comprados US$ 253 bilhões.
Em Wall Street, os investidores atuaram na ponta compradora durante toda a sessão depois de dois dias de realização de lucros. Ao final do pregão, o Dow Jones marcava alta de 1,30%, aos 9.361 pontos. O S P 500 subiu 1,15%, para 1.005 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,47%, a 1.998 pontos.
Por aqui, além do sinal externo, o dia foi pautado pelo vencimento do Ibovespa futuro. Segundo o economista da Legan Asset Management, Fausto Gouveia, a briga foi grande para manter o índice acima dos 56 mil pontos, mas os comprados tiveram ajuda do mercado externo.
Apoiado nas ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas, o Ibovespa fechou com alta de 1,48%, aos 56.588 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 7,28 bilhões, sendo R$ 1,36 bilhão referente ao vencimento do índice futuro.
Ainda de acordo com Gouveia, os investidores se preparam, agora, para outra briga entre comprados e vendidos. Na segunda-feira, ocorre o vencimento de opções sobre ações.
No mercado de câmbio, a moeda americana chegou a ensaiar alta contra o real, mas as vendas voltaram a falar mais alto pelo segundo dia consecutivo. Ao fim da sessão, o dólar comercial valia R$ 1,834 na compra e R$ 1,836 na venda, queda de 0,37%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM F), a divisa cedeu 0,35% e fechou, também, a R$ 1,836. O giro financeiro somou US$ 250 milhões, mais de três vezes maior que registrado no pregão anterior. Já no interbancário, o volume encolheu em cerca de US$ 1 bilhão, para US$ 1,5 bilhão.
O analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, observa que o objetivo maior da moeda americana é bater R$ 1,80. " E cedo ou tarde vai parar lá " , afirmou.
O especialista aponta que o mercado está em um processo lento e contínuo de recuperação e, dentro desse quadro, o Brasil tem posição privilegiada. Por isso que os dólares vêm atrás de rendimento no país.
Em linha com tal percepção, o Banco Central (BC) mostrou que o fluxo cambial começou agosto positivo em US$ 2,255 bilhões.
A conta financeira é que garantiu tal resultado na primeira semana do mês, com sobra de US$ 2,696 bilhões, já que a conta comercial ficou deficitária em US$ 441 milhões.
No mesmo período, a autoridade monetária comprou US$ 779 milhões nos leilões no mercado à vista. Com isso, a sobra líquida de dólares no mercado ficou em US$ 1,476 bilhão.
No mercado de juros futuros, a liquidez segue restrita e a oscilação dos vencimentos foi pouco expressiva, mas a curva futura manteve viés de baixa. A decisão do Fed, como não trouxe novidades, não teve impacto sobre a tomada de posições.
Ao fim do pregão, na BM F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido, apontava baixa de 0,04 ponto, a 9,77%. O vencimento para janeiro de 2012 cedeu 0,02 ponto, a 11,03%. Destoando, janeiro de 2013 projetava 11,74%, valorização de 0,01 ponto.
Entre os contratos curtos, janeiro de 2010 devolveu 0,01 ponto, a 8,64%. Já setembro de 2009 subiu 0,01 ponto, a 8,62%, e outubro de 2009 encerrou estável, a 8,62%.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 337.100 contratos, equivalentes a R$ 29,28 bilhões (US$ 15,86 bilhões), queda de 28% sobre o registrado na terça-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 140.685 contratos, equivalentes a R$ 12,36 bilhões (US$ 6,69 bilhões).
(Eduardo Campos | Valor Online)