Depois de testar mínimas em dez meses, o dólar comercial teve um pregão de alta contra o real. Além do espaço para correção, as compras foram estimuladas pela instabilidade externa e pela valorização da divisa americana contra o euro e a libra.
Ao final da terça-feira, o dólar comercial valia R$ 1,880 na compra e R$ 1,882 na venda, alta de 0,37%. Na máxima a moeda chegou a R$ 1,897.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM F), a divisa avançou 0,30%, e fechou a R$ 1,881. O giro financeiro somou US$ 267,5 milhões, mais que o dobro do observado ontem. No interbancário, o volume permaneceu elevado, somando US$ 1,9 bilhão.
Segundo o analista de câmbio da Liquidez Corretora, Mário Paiva, é natural que o dólar passe por algum ajuste de alta depois da perda de ontem, que levou a divisa a mínimas não registradas desde o final de setembro do ano passado. " Mas a tendência continua sendo de baixa " , ressalta.
De acordo com Paiva, o que garante essa perspectiva de dólar ainda mais deprimido é a expectativa de oferta de dólares no mercado brasileiro. " As captações de empresas via ações e títulos e o fluxo comercial deixam claro que os dólares continuam chegando. "
Fora isso, diz o especialista, é crescente o número de opiniões ao redor do mundo de que o enfraquecimento do dólar como reserva mundial é uma tendência irreversível.
Voltando o foco para o lado doméstico, o analista lembra que a semana marca a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquidará os contratos futuros, e que a pressão maior é de venda.
Segundo os últimos dados disponíveis, enquanto os estrangeiros estão praticamente zerados em dólar futuro, os bancos domésticos têm posição vendida (aposta contra o dólar) superior a US$ 4,3 bilhões.
(Eduardo Campos | Valor Online)