A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em leve alta, após operar a maior parte do dia no território negativo. O Ibovespa - principal indicador brasileiro - subiu 0,17%, para 54.549 pontos. Apesar de pouco expressiva, a alta garantiu nova máxima de fechamento para o ano e maior pontuação desde 1º de setembro de 2008, quando o índice fechou aos 55.162 pontos. O dólar comercial manteve a trajetória de queda nesta segunda-feira. A moeda americana fechou com desvalorização de 1,16%, a R$ 1,875, menor cotação desde 26 de setembro de 2008.
Foi o oitavo pregão de ganhos na Bovespa em nove dias de negociações. Isso abre espaço para o movimento de realização dos lucros (venda de ações para embolsar os ganhos recentes), o que traz volatilidade à bolsa. O giro financeiro seguiu baixo, em R$ 4,13 bilhões. Os índices em Wall Street também apresentaram pequenas altas. O índice industrial Dow Jones, avançou 0,17%. O Nasdaq, das empresas de tecnologia, teve valorização de 0,10%. E o S&P 500 aumentou 0,30%.
A divulgação de indicadores econômicos e balanços corporativos positivos nas últimas duas semanas diminui a aversão ao risco no mercado financeiro, influenciando a queda do dólar - que hoje também recua frente ao euro. Atento à queda da divisa, o Banco Central voltou hoje a comprar dólares em leilão no mercado à vista. De acordo com comunicado do Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin), a taxa aceita ficou em R$ 1,8815.
Nesta segunda-feira foi divulgado mais um dado positivo sobre o mercado imobiliário americano. As vendas de casas novas nos Estados Unidos cresceram 11% em junho para uma taxa anualizada de 384.000 imóveis. A alta ficou bem acima do esperado pelo mercado, embora as vendas ainda estejam 28% abaixo dos níveis de um ano atrás.
No decorrer da semana, a atenção se desloca para o livro Bege do Federal Reserve (Fed), banco central americano, na quarta-feira, e para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que será conhecido na sexta-feira.
Pressão de bancos leva dólar a fechar em queda
Para o diretor da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, os bancos têm vendido dólar no mercado à vista para reduzir a cotação da moeda americana. O objetivo da operação é cobrir suas posições vendidas (de aposta na queda do dólar) no mercado futuro com lucro. Como o Banco Central tem comprado regularmente dólares no mercado à vista, os bancos encontram sempre comprador para dar continuidade a essa operação. Os bancos estavam com US$ 4,39 bilhões em posição líquida vendida no mercado futuro da BMF Bovespa no dia 24 de julho.
Além disso, nos momentos de maior otimismo no mercado financeiro, os agentes tendem a reduzir suas aplicações em dólar - como títulos públicos americanos - e aumentam os investimentos em ações e commodities, que apresentam mais riscos, mas têm maior potencial de lucros.
- Os últimos indicadores econômicos divulgados apontam para uma melhora da economia. A tendência é de que o real continue forte. O dólar permanece fraco em relação a outras moedas estrangeiras, e o fluxo de recursos para o Brasil está aumentando - afirmou o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho.
O Banco Central, informou hoje o saldo de transações correntes do país fechou junho negativo em US$ 535 milhões , um pouco pior do que a projeção feita pelo próprio BC para o período, que era de zero. Mas, no ano, o déficit acumulado é de US$ 7,074 bilhões, valor 58% menor do que o rombo de US$ 16,871 bilhões, registrado no primeiro semestre de 2008.
Ações da Vale têm alta. Papéis da Petrobras recuam
Dentro do Ibovespa, o destaque segue com os ativos da Vale. Segundo o economista da UM Investimentos, Hersz Ferman, dado o noticiário recente relativo a aumento no preço do frete e do minério de ferro no mercado à vista, a redução do preço do produto negociado com as siderúrgicas chinesas deve ficar na casa de 30% e não na faixa de 40% a 50% como querem os chineses. O papel PNA da mineradora ganhou 0,78%, para R$ 32,43.
Já Petrobras PN reverteu os ganhos do período da manhã e cedeu 0,15%, para R$ 32,45.
Na ponta compradora, Sabesp PN saltou 7,41%, para R$ 31,15. Parte da alta é atribuída à recomendação de compra dada pelo Santander. Ganho de 5,31% para Cosan ON, que saía a R$ 17,45. No setor de celulose, VCP PN subiu 5,87% a R$ 26,15, e Aracruz PNB ganhou 4,18%, a R$ 3,50. Já o ativo ON da Souza Cruz aumentou 5,85%, a R$ 63,83.
Liderando as vendas, NET PN perdeu 2,76%, a R$ 19,65. Também entre as maiores quedas, TAM PN recuou 2,09%, a R$ 23,89. Ferman observa que a empresa aérea esperava receber slots da Pantanal Linhas Aéreas em Congonhas como forma de pagamento de dívidas, mas a Agência Nacional de Avião Civil (Anac) anunciou que leiloará os pontos de operação.
No lado doméstico, os resultados trimestrais movimentam a semana. A Lojas Renner abre a semana, que também reserva os números da Vale, Perdigão, Vivo, Terna, Energia do Brasil, Santos Brasil, Telesp, Totvs, CSU Cardsystem, Banco Daycoval, Embraer e Paranapanema.