Por José de Castro
O dólar interrompeu o movimento das últimas oito sessões e fechou em alta superior a 2 por cento ante o real nesta quarta-feira.
O avanço do dólar no mercado interno refletiu a valorização global da moeda norte-americana e ficou em linha com um movimento de realização de lucros nas bolsas de valores. Frente a uma cesta com as principais divisas mundiais, o dólar subia em torno de 1,3 por cento no final da tarde.
A moeda norte-americana avançou 2,13 por cento no fechamento, cotada a 1,964 real, após ter caído 5,5 por cento entre 22 de maio e a véspera. Foi a maior alta percentual diária desde 20 de abril.
"Tanto as bolsas quanto as (principais) moedas resolveram realizar (lucro) hoje. Isso é um ajuste técnico e esse mau humor reflete no câmbio também. É natural que o dólar suba um pouco", avaliou Mario Paiva, analista de câmbio da Corretora Liquidez.
Paiva considerou, entretanto, a alta desta quarta-feira como "pontual", acreditando que a tendência de baixa do dólar deve persistir caso as perspectivas para o Brasil continuem positivas.
Em Wall Street, os investidores aproveitaram para embolsar ganhos após a queda dos preços do petróleo abater as ações de empresas do setor de energia. Também contribuía para a baixa das bolsas números que mostraram nova contração no setor de serviços.
Os indicadores acionários em Nova York cederam e levaram o principal índice da bolsa paulista a despencar mais de 3 por cento.
COMPRAS DO BC SUPERAM INGRESSOS
A alta do dólar nesta sessão ocorreu a despeito da divulgação pelo Banco Central de que o fluxo cambial no país fechou maio positivo em 3,134 bilhões de dólares, confirmando o melhor resultado mensal desde abril de 2008.
A cifra resulta de saldo positivo nas operações comerciais de 1,551 bilhão de dólares e também positivo nas transações financeiras de 1,583 bilhão de dólares. É a primeira vez desde março de 2008 que o segmento financeiro fecha um mês com superávit.
"O fluxo em excesso pode prejudicar o exportador. Não é interessante que o dólar caia demais porque isso diminui a competitividade dos produtos brasileiros lá fora", considerou Paiva.
O BC também informou que comprou 2,748 bilhões de dólares no mercado de câmbio à vista em maio até o dia 27 (com liquidação até o dia 29, última sessão do mês). Esse valor supera o volume líquido de dólares que ingressou no país no mesmo período, que foi de 2,376 bilhões de dólares.
Nesse contexto, pela primeira vez desde 3 de setembro, as posições de investidores estrangeiros no mercado futuro ficaram vendidas. De acordo com os números mais recentes da BMF Bovespa, essas posições vendidas estavam em 390 milhões de dólares na véspera.
Na roda de dólar à vista da BM&F, segundo dados preliminares, o volume negociado era de cerca de 2,7 bilhões de dólares.
(Com reportagem adicional de Jenifer Corrêa)