Por Epaminondas Neto
Pelo oitavo dia, a taxa de câmbio encerrou o dia mais baixa, num mercado em que o Banco Central desponta como comprador isolado na praça. Nas últimas operações desta terça-feira, o dólar comercial foi negociado por R$ 1,924, em um declínio de 1,48% sobre a cotação de ontem, enquanto o dólar turismo foi mantido em R$ 2,040 (cotação em São Paulo). Somente nesses oito dias, o preço da moeda americana desvalorizou 8,81%.
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) sofre perdas de 0,69%, aos 54.111 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,73 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 0,51%.
Nesta semana, os indicadores econômicos dos EUA, da Europa e da Ásia ainda reforçam o otimismo dos agentes financeiros. Em um cenário onde a retomada da economia global pode vir mais cedo que o esperado, o nível geral de aversão ao risco caiu e gestores de investimentos voltam a movimentar os recursos que ficaram "estagnados" durante a pior fase da crise mundial. Até o momento, economias emergentes como o Brasil tornaram-se alguns dos alvos dessa liquidez mundial.
"É um fluxo que vem para investir na Bolsa de Valores, é um fluxo que vem pela balança comercial, é um fluxo de recursos que entra no país para aproveitar um dos maiores juros do mundo", comenta Mário Paiva, analista da corretora Liquidez, lembrando que o fato do país ser credor em dólar eleva a segurança dos agentes financeiros globais.
"E você já vê muitas empresas com programações para fazer novas captações lá fora. E algumas já estão com essas programações bem adiantadas", acrescenta.
O Banco Central entrou no mercado de câmbio entre 15h34 e 15h44, comprando dólar por R$ 1,9270 (taxa de corte).
Juros futuros
As taxas projetadas no mercado futuro da BM&F caíram mais uma vez. A inflação medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no município de São Paulo fechou o mês de maio com alta de 0,33%, contra 0,34% na terceira quadrissemana do mês passado. O resultado veio em linha com o esperado pelo mercado.
No contrato que projeta as taxas para janeiro do ano que vem, a taxa prevista recuou de 9,09% ao ano para 9,08%; e no contrato que vence em janeiro de 2011, a taxa projetada cedeu de 9,60% para 9,62%.