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14 MAI

Bovespa caiu pelo terceiro dia e dólar foi a R$ 2,106 / com Mário Paiva

Fonte: Valor Online
São Paulo -

Por Eduardo Campos

A quarta-feira foi movimentada nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou pelo terceiro dia de realização de lucros e o dólar teve forte alta, reconquistando os R$ 2,10. Os contratos de juros futuros testaram novas mínimas, depois que o governo finalmente anunciou as mudanças na poupança, removendo um entrave a novas reduções na taxa Selic.

A agenda do dia foi movimentada, com foco nos dados das economias chinesa e americana. Na China, a produção industrial teve crescimento de 7,3% sobre abril do ano passado, mas o resultado ficou abaixo do esperado e também mostrou uma perda de dinamismo ante março, quando o avanço fora de 8,3%. As vendas no varejo dispararam 14,8% em abril no comparativo anual.

Nos Estados Unidos, os consumidores voltaram a se retrair. As vendas no comércio varejista recuaram 0,4% no mês passado, contra previsão de redução de 0,1%. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas afundaram 10%.

Esses números contribuíram para o terceiro dia de queda na Bovespa, que registrou a maior perda diária desde 2 de março. Com 62 dos 65 componentes em baixa, o Ibovespa cedeu 3,27%, encerrando aos 48.679 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,99 bilhões. Na semana, a baixa é de 5,28%.

Segundo o gerente de contas da Hera Investment, Fernando Campello, quando o índice perdeu o importante suporte dos 50 mil pontos estimulou ainda mais as vendas e serviu de gatilho para " stops de posição " , ou seja, venda do ativo a preço pré-determinado.

Não só Campello, mas outros profissionais de mercado, como o assessor de investimentos da Corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, acreditam que quem vai determinar se o Ibovespa vai seguir perdendo é o investidor estrangeiro.

" Foram os estrangeiros que sustentaram a alta. Agora tem que esperar para ver se eles voltarão às compras ou seguirão vendendo " , disse Monteiro.

Dados da Bovespa mostram que o saldo estrangeiro passava de R$ 3 bilhões no acumulado do mês até o dia 8 de maio. No entanto, aponta Campello, esse montante já deve ter recuado diante da desvalorização do Ibovespa nesta semana e dos menores volumes negociados diariamente.

O dólar também passou por ajuste de preço e voltou a ser negociado acima dos R$ 2,10. No entanto, o analista de câmbio da Liquidez Corretora, Mário Paiva, crê que a puxada de alta foi um evento pontual.

Para o analista, a tendência do dólar é retornar para baixo de R$ 2,10. O que garante essa expectativa, segundo ele, é o fluxo positivo de moeda para o mercado interno e a menor aversão ao risco.


Operando em alta desde o começo dos negócios, o dólar comercial encerrou o dia com valorização de 1,83%, negociado a R$ 2,104 na compra e R$ 2,106 na venda. Esse foi o maior ganho percentual diário desde 20 de abril.

Mesmo com o preço apontando para cima, o Banco Central (BC) voltou a comprar dólares no mercado à vista, pagando R$ 2,1075.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda avançou 1,79%, encerrando a R$ 2,105. O giro financeiro ficou em US$ 337,25 milhões, 87% maior que o observado na terça-feira. No interbancário, o volume também foi elevado, passando de US$ 3,5 bilhões, mais que o dobro do registrado na sessão anterior.

As alterações propostas para a caderneta de poupança e fundos de investimento levaram os contratos de juros futuros a testar novas mínimas na BM & F. Agora, o BC pode continuar cortando os juros sem se preocupar com uma migração de investimentos que colocaria em risco os fundos de renda fixa, o mercado de crédito e o financiamento do governo.

No encerramento do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais líquido, recuava 0,04 ponto percentual, para 9,39%. O vencimento para janeiro de 2011 diminuiu 0,09 ponto, para 9,97%, e janeiro 2012 apontava 10,94%, baixa de 0,11 ponto.

Na ponta curta, contrato para junho de 2009 destoou e subiu 0,01 ponto, para 10,13%. Julho de 2009 cedeu 0,02 ponto, a 9,88%, e agosto de 2009 devolveu 0,04 ponto, marcando 9,69%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 494.670 contratos, equivalentes a R$ 43,99 bilhões (US$ 21,30 bilhões), 25% a mais que o registrado um dia antes. O vencimento para janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 130.150 contratos, equivalentes a R$ 12,28 bilhões (US$ 5,94 bilhões).

O governo atacou o problema atacando por duas frentes. Na poupança, depósitos superiores a R$ 50 mil serão taxados a partir do ano que vem. O regime é complexo, envolvendo o nível da Selic, um redutor e a tabela progressiva de Imposto de Renda (IR). De forma mais simplificada, o mecanismo funcionará assim: quanto menor a Selic, mais alto o imposto pago sobre rendimento da poupança.

Como as alterações na poupança só podem ser efetivadas ano que vem, o governo também mudará o regime de tributação dos fundos ainda em 2009. A mudança no IR deve vir por Medida Provisória. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ideia é criar " uma taxa de desconto " no IR a ser fixada pelo governo, no caso de continuidade da queda de juros.

As regras do governo garantem que o retorno do investimento em renda fixa será mais atraente que a poupança com a Selic até 7,25% ao ano. Caso o juro básico vá abaixo de 7,25%, o risco de migração de investimentos para as cadernetas voltaria, mas tanto Meirelles quanto Mantega consideram esse cenário pouco provável nos próximos anos.

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