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13 MAI

BC volta a atuar no mercado e dólar sobe / com Mário Paiva

Fonte: O Estado de S.Paulo
Brasília -

Por Fernando Nakagawa

O Banco Central voltou a comprar dólares ontem, na terceira intervenção seguida desde sexta-feira. Mas, ao contrário dos outros dias, em que as operações ocorreram quando a cotação estava em queda, ontem a ação ocorreu quando a cotação estava em queda, ontem a ação ocorreu enquanto o preço da moeda subia. A atuação do BC no fim da tarde ajudou o dólar a fechar em alta de 0,53%, a R$ 2,07. Pelas estimativas das mesas de câmbio, teriam sido adquiridos cerca de US$ 100milhões, mesmo montante comprado na segunda-feira.

A terça-feira começou exatamente como nos dias anteriores: com queda do dólar. Logo nos primeiros negócios, a moeda caiu para a mínima do dia, a R$ 2,049. Operadores explicam que esse preço – abaixo de R$ 2,05 – deflagrou várias ordens, o que inverteu a mão do mercado. Essa pressão compradora foi provocada pelas ordens automáticas programadas por investidores e empresas interessados na moeda. Nesse tipo de operação, programa-se a compra ou venda para o caso de a cotação operar abaixo ou acima de determinado valor.

Mesmo com a alta, o BC voltou ao mercado. Ás 15h34, começou o leilão de dez minutos em que a moeda foi adquirida por R$ 2,0678. O preço pago pela autoridade monetária foi 0,34% maior do que no leilão do dia anterior. A valorização de ontem, porém, foi insuficiente para inverter a trajetória do dólar, que acumula queda de 5,39% no mês. Em apenas sete dias úteis, a cotação recuou R$ 0,11.

A intervenção quando a cotação estava em alta não surpreendeu o mercado. “A maior prova de que não houve surpresa é que as cotações não mudaram muito após a operação”, diz o gerente de câmbio da Liquidez Corretora, Mário Paiva.

Nas mesas de câmbio, a intervenção foi entendida como recado para reafirmar que as compras não tem relação com uma tentativa de se estabelecer um nível para as cotações. “Foi um balde de água fria naqueles que apostavam que o BC queria um piso para o dólar”, diz um operador.

Segundo o BC, as atuações servem para corrigir excessos de liquidez e recompor as reservas que estãoem US$ 202,1 bilhões. Ontem, o segundo objetivo parece ter prevalecido. Operadores também acreditam que o BC age para manter o câmbio constante, porque grandes oscilações atrapalham o fechamento de negócios.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse ontem que um dólar abaixo do nível atual pode prejudicar exportações. “Não é bom que abaixe mais do que o nível que está hoje”, disse ele, após audiência na Câmara dos Deputados.

Não é essa a avaliação do diretor de Comercio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca, que foi ontem ao Ministério da Fazenda. Segundo ele, a combinação de câmbio alto com preços internacionais abaixos, numa economia de juros elevados, é “um desastre”. “É uma situação dramática.”

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