A entrada de dólares no mercado nacional volta a puxar para baixo a cotação da moeda nesta sexta-feira (8). Por volta das 15h, a divisa norte-americana era vendida a R$ 2,072 para a venda, em baixa de 1,84%, no menor patamar desde outubro de 2008.
"O que acontece é uma antecipação da melhora (da situação global). Os investidores entram agora para buscar rentabilidade (no futuro)", avaliou Marcos Trabbold, operador de câmbio da B&T Corretora. "Mas de resolvido lá fora, não tem nada ainda. O cenário ainda é negativo."
Dados divulgados pelo governo dos Estados Unidos nesta sexta mostraram uma desaceleração no corte de empregos no país no mês de abril. O ritmo de redução foi o menor desde outubro do ano passado. A taxa de desemprego, entretanto, subiu para 8,9%, maior nível desde setembro de 1983.
Captação de recursos
O movimento é reforçado pelas captações feitas pelo governo brasileiro: na quinta-feira, foi anunciada a reabertura de uma captação de US$ 750 milhões por meio do bônus Global 2019, com rendimento de 5,80% ao ano.
"O Brasil anunciou uma captação externa soberana, aumentando a expectativa de mais entrada de dólares", considerou Mario Paiva, analista de câmbio da Corretora Liquidez.
Fontes de mercado disseram que a expectativa inicial era de emissão de US$ 500 milhões, mas a forte demanda, estimada em mais de US$ 3 bilhões, levou o Brasil a ampliar a oferta.
O analista afirma que "o fluxo de dólares no país ainda é grande e a expectativa de entrada é maior que a de saída", o que, segundo ele, ajuda a manter as cotações em baixa.
Véspera
Na quinta-feira, o dólar encerrou a sessão estável perante o real, apesar da forte baixa nas Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com investidores reforçando perspectivas de ingresso de recursos para o país. A moeda norte-americana chegou a ficar abaixo de R$ 2,10 pela manhã, mas fechou o dia valendo R$ 2,111.