O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira em leve baixa ante o real, com investidores reforçando perspectivas de ingresso de recursos para o país.
A moeda norte-americana recuou 0,14 por cento, a 2,109 reais para venda. No início dos negócios, o dólar chegou a cair quase 1 por cento, mas a piora nos mercados acionários amorteceu o movimento de queda.
"O Brasil anunciou uma captação externa soberana, aumentando a expectativa de mais entrada de dólares", considerou Mario Paiva, analista de câmbio da Corretora Liquidez.
O governo brasileiro anunciou pela manhã a reabertura de uma captação de 750 milhões de dólares por meio do bônus Global 2019, com rendimento de 5,80 por cento anuais.
Fontes de mercado disseram que a expectativa inicial era de emissão de 500 milhões de dólares, mas a forte demanda --estimada em mais de 3 bilhões de dólares-- levou o Brasil a ampliar a oferta.
O analista afirma que "o fluxo de dólares no país ainda é grande e a expectativa de entrada é maior que a de saída", o que, segundo ele, ajuda a manter as cotações em baixa.
Paiva acredita que os recursos que entrarão no mercado doméstico por intermédio da emissão de bônus podem acentuar a trajetória de queda da divisa norte-americana.
Como pano de fundo, de acordo com os mais recentes dados da BM&F, a posição comprada de investidores estrangeiros --que, na prática, revela uma aposta na alta da moeda norte-americana-- caiu para 2,1 bilhões de dólares, menor nível desde o aprofundamento da crise global. Em março, essa posição alcançou o pico de 14,3 bilhões de dólares.
Nos mercados acionários norte-americanos, os índices exibiam baixa no fim da tarde, após um leilão de títulos do governo não ter obtido a resposta desejada. A preocupação de investidores de que o crescimento dos custos de capital possa pressionar a recuperação da economia também pesava sobre os indicadores.
No Brasil, a realização de lucros prevalecia sobre o Ibovespa, fazendo o indicador recuar perto de 3 por cento.
No mercado de câmbio doméstico, de acordo com os últimos dados disponibilizados pela BM&F, o volume de dólar negociado no segmento era de cerca de 1 bilhão de dólares.
Frente a uma cesta com as principais moedas globais, a moeda norte-americana operava praticamente estável.
(Reportagem de José de Castro)