"A volta do fluxo positivo de dólares para o Brasil é decorrente da melhora no ambiente externo, que reduziu a aversão ao risco por parte dos investidores", comenta Mário Paiva, analista de câmbio da corretora Liquidez. "A queda atual na cotação do dólar é um movimento saudável, fruto dos fundamentos do País que voltam a imperar", diz Paiva, afirmando que o dólar deve enfrentar alguma resistência para cair abaixo de R$2,10.
O movimento recente de depreciação do dólar fez com que o BC voltasse a fazer um leilão de swap cambial reverso - espécie de compra de moeda no mercado futuro - após oito meses sem realizar esse tipo de operação. Na última segunda-feira, o BC vendeu US$ 3,412 bilhões em swaps reversos. A operação, em que o BC para aos bancos a variação da Selic e recebe a variação do dólar, é questionada por Nehme.
"Se o BC quer segurar o dólar deveria atuar no mercado à vista, enxugando o excesso de liquidez. Com a venda de swaps reversos, o BC acaba estimulando a volta de um movimento especulativo", comenta. "Na prática, quem compra os swaps reversos age no sentido de apreciar o real para obter duplo ganho, da Selic e da variação cambial implícitas nas transações."
Mário Paiva, da Liquidez, tem uma opinião diversa. "O papel do BC não é conter o dólar, mas evitar a excessiva volatilidade nos mercados que prejudica a todos", diz. "Os leilões não impedem a queda na cotação, mas suavizam o movimento. É função do BC agir quando julgar necessário."