Reportagem de José de Castro
O dólar fechou em alta ante o real nesta quinta-feira, numa sessão em que os investidores mostraram-se mais retraídos para fechar operações um dia após terem atuado com força no mercado.
No âmbito externo, o dia foi de volatilidade das principais bolsas de valores diante de dados ainda mistos sobre a economia dos Estados Unidos.
A divisa norte-americana avançou 0,82 por cento e fechou a 2,219 reais para venda, depois de chegar a cair 0,36 por cento durante a manhã e subir até 1,09 por cento no meio da tarde.
O mercado doméstico de câmbio descolou de um movimento global de desvalorização do dólar. Ante uma cesta com as principais moedas, a divisa exibia queda de quase 1 por cento no final da tarde.
"Hoje o mercado (de câmbio) está com uma 'ressaca' muito forte. Os investidores não estão querendo operar", avaliou o diretor de câmbio de uma corretora nacional que preferiu não se indentificar.
Ele considerou que os investidores preferiram não realizar grandes operações porque ainda estão incertos sobre o direcionamento de suas estratégias. O diretor de câmbio acredita que o fraco movimento desta sessão refletiu um momento de análise dessas estratégias.
De acordo com os dados mais atualizados da BM&F, o volume de dólar negociado no segmento à vista girava em torno de 500 milhões de dólares --bem abaixo da média diária de abril, em torno de 3 bilhões de dólares.
Na véspera, o volume foi de 5,5 bilhões de dólares, o maior desde 16 de março.
Rodrigo Nassar, gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, citou uma saída pontual de recursos do mercado, o que pesou sobre as cotações do dólar.
No âmbito externo, as bolsas de valores operavam voláteis, à medida que relatórios ruins sobre vendas de casas usadas e o mercado de trabalho norte-americano contrabalançavam os resultados melhores que o esperado de empresas do setor de tecnologia.
No Brasil, a Bovespa exibia mais fôlego e avançava em torno de 1,2 por cento no momento em que o mercado de câmbio encerrou as operações.
Mario Paiva, analista de câmbio na Corretora Liquidez, explicou que a alta do dólar esteve atrelada ao vencimento de contratos de swap cambial na virada do mês.
"Essa falta de sinalização do BC com relação ao vencimento desses (contratos de) swaps no início de maio deixou os investidores retraídos", afirmou o analista, acrescentando que 5,5 bilhões de dólares em contratos de swap vencem no começo do próximo mês.
Paiva citou ainda a disputa de investidores por uma Ptax (taxa média ponderada do dólar) mais conveniente a suas estratégias. Essa "briga" fica mais latente com a proximidade do fim do mês, quando vencem os contratos futuros de câmbio.