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10 FEV

Bolsas em compasso de espera pelo anúncio de Geithner / com Marcelo Voss

Fonte: O Globo
São Paulo -

Por Alvaro Gribel

As bolsas pelo mundo estão em compasso de espera pelo anúncio às 14h (horário de Brasília) do plano de socorro do sistema financeiro elaborado pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner.

Depois do adiamento de ontem, o mercado aguarda uma solução definitiva para acabar com a crise sistêmica. Na avaliação do economista-chefe da Liquidez corretora, Marcelo Voss, dois temores rondam os investidores nesse demora: ou o governo americano não sabe realmente o que fazer ou o tamanho do rombo é tão grande que não haverá dinheiro.

- Esse plano deveria ter sido anunciado em setembro, ainda no governo Bush, e não foi. Ontem, ele foi adiado novamente. A expectativa para hoje é que o plano realmente saia e que não reste dúvidas sobre a sua eficácia. A dúvida é a pior coisa. Enquanto houver desconfiança sobre o sistema financeiro, a crise continuará. Até mesmo o pacote que Obama negocia no Congresso terá muito menos eficácia se os bancos continuarem segurando o crédito. Tudo passa pelos bancos - explicou Voss.

Agora pela manhã a rede de TV americana CNBC publicou reportagem em seu site dizendo que foi descartada a idéia de se criar um "banco ruim" para comprar todos os ativos podres. Ou seja, sem anúncio oficial, seguem as especulações que mexem com as decisões dos investidores.

Uma das dificuldades de elaboração desse plano é definir o valor dos ativos "tóxicos", ou seja, colocar preço sobre o que não vale nada.

- Se o governo americano pagar o valor real, os bancos quebrarão porque os ativos podres não tem valor. Então uma das dificuldades é colocar preço nisso e também saber como Geithner vai conseguir atrair o capital privado - explicou Voss.

Uma vez implementado o plano, os investidores esperam que cada banco divulgue de fato o tamanho do seu prejuízo, para que não haja mais surpresas. O Fed teria poder para decretar falência sobre os que forem considerados sem solução e também implementar processos de fusão.

- O importante é que não aconteça mais casos como o do Royal of Scotland que foi socorrido e no trimestre seguinte anunciou perdas de US$ 40 bilhões. Isso deixa todo mundo sem saber o que fazer e dá margem para qualquer tipo de boato - disse.

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