Por Alvaro Gribel
Em mais de 110 anos de história, nunca houve um recuo tão forte nas bolsas americanas num dia de posse de presidente, como aconteceu ontem com Barack Obama. O Dow Jones fechou com queda de 4,01%, o S&P, 5,28%, e o Nasdaq, 5,78%.
O que aconteceu foi que a preocupação com o sistema financeiro voltou com força e falou mais alto do que a renovação das expectativas com a chegada do novo presidente. Para se ter uma idéia de como os bancos estão em baixa, pela primeira vez desde 1992 o setor financeiro representa menos de 10% do valor de mercado do S&P. Somente ontem, a queda foi de 16,22%, mais que o triplo do recuo do segundo grupo que mais caiu, o de materiais básicos, com queda de 5,79%.
Hoje, a abertura na Europa sinalizou que o receio continua. Como mostra o blog do economista Marcelo Voss, da Liquidez Corretora, o banco Barclays cai 26,47%; o Lloyds, 15,97%; Deutsche Bank, 8,18%; Commerzbank 7,17%.
O problema continua sendo o que originou a crise: papéis de subprime espalhados pelo sistema financeiro e causando prejuízos aos bancos nos balanços do 4º trimestre. No mercado, estima-se que o Bank of America precisa de até US$ 80 bilhões em aporte de capital.
Enquanto todo o prejuízo relacionado ao subprime não for contabilizado, ninguém saberá de fato qual é o valor de cada banco. Alguns terão que se capitalizar, e isso significa que as ações valerão menos. Além disso, ninguém sabe que tipo de novas regulações serão implementadas com a chegada da nova equipe de Obama.
Com o sistema financeiro em xeque, haverá menos dinheiro circulando pelas economias. Isso afeta a economia real na medida em que o crédito fica mais caro para investimentos e financiamentos tanto de empresas quanto de pessoas físicas. O resultado é menos consumo, menos renda, menos emprego. Crise.