Em dia de intensa volatilidade, marcado primeiro pelo fracasso na reunião do Senado americano para aprovar o pacote às montadoras americanas e depois pelo alento vindo da Casa Branca, que estuda usar parte dos US$ 700 bilhões originais de recuperação da economia para ajuda ao setor automotivo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta, com o Índice Bovespa (Ibovespa) subindo 2,22% e atingindo 39.374 pontos, com volume negociado de R$ 3.542.967.428,00. Na semana, o Ibovespa acumula alta de 11,39%, enquanto que nos últimos sete dias a alta é de 12,09%. Em dezembro, a alta acumulada é de 7,59%.
O dólar comercial também fechou a sexta-feira em alta de 0,9%, cotado a R$ 2,36. A moeda chegou a valer R$ 2,40, mas pesou para a redução da alta a atuação do banco Central (BC) em leilão de venda de dólar no mercado à vista. Na semana, no entanto, o dólar acumulou queda de 4,56%. Já em dezembro, o dólar subiu 2,2% até o momento e, no ano, a valorização é de 33,07%.
Em Nova York, por volta das 18h17, as bolsas apresentavam variação positiva. O Índice Dow Jones subia 0,60%, a 8.616,30 pontos; o Nasdaq avançava 1,72%, somando 1.533,81 pontos; e o S&P 500 apresentava alta de 0,48%, a 877,82 pontos. As principais bolsas européias fecharam o dia em queda.
Na Bovespa, um das ações que mais se valorizaram no dia foram as de Lojas Americanas PN, que subiu 6,91%, sendo negociadas a R$ 7,12. O plano do governo brasileiro para incentivar o consumo é um dos fatores para alavancar o desempenho dos papéis da empresa. As ações mais negociadas no dia também seguiam em alta: Petrobras PN avançava 1,21%, em torno de R$ 22,60 e Vale PNA tinha valorização de 1,13%, a R$ 25,05.
Panorama da próxima semana
As análises técnicas continuam a apontar uma reversão no movimento atual de venda de ações, o que significa projeção de alta para o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira em dezembro.
- Observa-se uma tendência de compra mais forte, reforçando as chances de o Ibovespa chegar aos 41 mil pontos até o fim do ano.
Os os números apontam que a tendência do mercado acionário parece começar a querer se inverter - disse Vinícius Vereza, analista gráfico da Doji Star Four Gráficos.
Pela avaliação dos analistas da consultoria Doji Star Four Gráficos o ponto de sustentação do índice é de 37 mil pontos. Somente se romper esta pontuação, poderá voltar à casa dos 33 mil pontos.
Em relação ao dólar as projeções são menos otimistas. O dólar comercial ainda apresenta trajetória de alta na avaliação dos analistas gráficos. De acordo com a avaliação da Doji Star, a moeda americana deve manter a cotação média de R$ 2,42, mas este valor não invalida a possibilidade de a moeda chegar a variar entre R$ 2,55 e R$ 2,60.
Incertezas em relação à economia mundial voltam
A possibilidade de que Casa Branca ajude o setor automotivo dos Estados Unidos, após o fracasso nas negociações do Senado, tirou um pouco da tensão, mas a decisão do Senado funcionou como um golpe para os investidores, receosos com o futuro da economia. A quebra de empresas do porte das montadoras americanas significaria mais desaquecimento do setor produtivo. Um analista de uma corretora de valores americana chegou a dizer que mais uma vez "os investidores foram traídos pelo governo".
Na opinião de Marcelo Voss, economista-chefe da Corretora Liquidez, a decisão do Senado americano em relação às montadoras mostrou coerência. As empresas precisam mostrar quais são as mudanças em suas estratégias para receber dinheiro do governo.
O índice de confiança do consumidor subiu para 59,1% em dezembro, quando o esperado era uma alta de 55%. Os índices de inflação não ficaram ruins, mas a maior preocupação dos investidores é com a recessão e não com a inflação.
Mais cedo também saíram dois importantes dados econômicos americanos. As vendas no varejo caíram 1,8%, dentro do esperado. O Índice de Preços ao Produtor caiu 2,2% em novembro, a segunda redução seguida, devido principalmente à queda dos preços da energia, informou o Departamento de Trabalho americano.