Por Juliana Rangel
Diante da instabilidade dos mercados externos, como reflexo da rejeição do pacote de ajuda às montadoras no Senado americano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou ontem com forte volatilidade. O Ibovespa, seu principal índice, chegou a cair 3,90% dez minutos após a abertura. Mas se recuperou com a indicação do presidente dos EUA, George W. Bush, de que poderá ajudar o setor automobilístico. O indicador fechou na valorização máxima do pregão, em alta de 2,22%, aos 39.373 pontos. Na bolsa de Nova York , o Dow Jones também fechou no azul, com alta de 0,75%. O dólar subiu 0,90%, para R$ 2,366.
Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 11,39%. Entre os destaques de ontem estiveram ações ordinárias (ON) da Embraer, com alta de 7,79%. A empresa entregou ontem um jato modelo 195 para a Azul Linhas Aéreas, e o contrato prevê 36 pedidos firmes e possibilidades de venda de mais 40 aeronaves.
Segundo o analista da Lopes Filho & Associados, Leonel Pitta, as ações de empresas ligadas ao varejo também subiram.
- Elas estão sendo positivamente influenciadas pelo plano de incentivo ao consumo divulgado pelo governo. Além disso, elas tendem a ser beneficiadas com a esperada redução de juros, sinalizada pelo Banco Central – explicou.
Os papéis preferenciais das Lojas Americanas, por exemplo, subiram 6,91%¨.
Sem acordo, Aracruz pode vender unidade de produção. Já as ações da Aracruz subiram 1,60%, embora a empresa não tenha chegado a um acordo para pagar uma dívida de US$ 2,13 bilhões feita com derivativos de câmbio com credores, segundo comunicados divulgado ontem. Desde o anúncio das perdas, em setembro, os papéis perderam mais de 77%.
Analistas alertam para o risco de investimento: - Por mais que o dólar tenha dado uma aliviada, continua em patamares elevados. A novela das negociações continua – disse um especialista.
A empresa vem tentando conseguir mais prazo para pagar os débitos. Segundo analistas, se não chegar a um acordo, uma das saídas seria vender uma das três unidades de produção. Na Bahia, sua sócia na Veracel, a sueco-finlandesa Stora Enso, vem tentando levar sua parte. O preço estaria avaliado em US$ 1,3 bilhão, segundo analista.
- Mas esse cenário não deve se concretizar porque não seria bom para ela nem para os bancos chegar a esse nível de estresse – diz.
Além de ser mais nova e ter um custo mais baixo, a Veracel corresponde a 16% da capacidade de produção da empresa.
BC vende apenas US$ 70 milhões à vista no EUA, o dia também foi oscilação, com notícias positivas e negativas. A quedar de 1,8% das vendas no varejo em novembro fez as bolsas caírem.
Mas o recuo de 2,2% da inflação ao produtor no mesmo mês, a melhora inesperada da confiança do consumidor e, sobretudo, a sinalização da Casa Branca de que vai ajudar as montadoras ajudaram a melhorar o humor do mercado. A Nasdaq subiu 2,18% e o S&P 0,7%. Europa e Ásia, porém, fecharam em queda.
Londres caiu 2,47%, Paris recuou 2,80% e Frankfurt, 2,18%.
Tóquio despencou 5,56%, e Hong Kong, 5,48%, ainda refletindo a recusa do Senado americano em provar o pacote.
No mercado de câmbio brasileiro, o volume de negócios foi baixo, de US$ 1,448 bilhão. O Banco Central chegou a vender US$ 70 milhões em moeda no mercado à vista ontem, a R$ 2,357, mas não reverteu a alta.
No acumulado da semana, a moeda recuou 4,55%.
- É uma véspera de semana como há muito tempo a gente não tinha. Acho que o pessoal já está se preparando para o fim do ano e fechando as gavetas – disse Alexandre Solito, gerente de câmbio do Banco Paulista Socopa.
O analista de câmbio da Liquidez, Mário Paiva, observou que as posições compradas de investidores estrangeiros, que apostaram na alta da moeda na Bolsa de Mercadoria & Futuro, estão se reduzindo.
- No início dos negócios, essas posições somavam US$ 10,9 bilhões. No dia anterior, eram de US$ 11,934 bilhões. Isso é um bom sinal – disse referindo – se à pressão que as oscilações na BM&F vinham exercendo no mercado à vista.