O Banco Central anunciou nesta segunda-feira novas mudanças no recolhimento compulsório sobre depósitos à vista, permitindo uma dedução para bancos que "voluntariamente" anteciparem parcelas da contribuição ordinária ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo circular divulgada pelo BC, a antecipação deverá corresponder a 60 vezes o valor da contribuição ordinária relativa ao mês de agosto deste ano, recolhida ao FGC em 1º de outubro último. O BC informou por meio de sua assessoria que, caso todos os bancos que contribuem para o FGC aderissem à nova regra, o volume de abatimento do compulsório equivaleria a 6 bilhões de reais.
"A medida dá continuidade às ações do Banco Central para prover liquidez ao mercado", afirmou a autoridade monetária. O FGC é uma entidade privada que garante os depósitos bancários no Brasil. A dedução do compulsório, segundo o BC, se dará pelo número de meses equivalente ao das parcelas antecipadas. Nas últimas semanas, o BC anunciou uma série de mudanças nos compulsórios de modo a liberar mais recursos no sistema bancário e enfrentar a crise global de crédito.
Crédito - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda que as medidas sobre compulsório que o Banco Central vem tomando nas últimas semanas estão servindo para recompor o crédito que tinha diminuído no país. "Há uma redução momentânea do crédito que está sendo sanada pelo governo", disse Mantega a jornalistas no escritório da Presidência da República em São Paulo."Nós sabemos que houve uma redução drástica, mas já há uma recomposição desse crédito."
"O crédito vinha crescendo num volume muito grande, tinha alguma gordura. Então, de fato, houve uma redução, principalmente setorial. Com a liberação do compulsório pelo BC, nós estamos recompondo esse crédito." Mantega ressaltou que o governo "não vai salvar nenhuma empresa" de perdas com operações no mercado financeiro, mas ponderou que irá garantir crédito para elas. "As empresas que ousaram no mercado futuro têm que pagar o preço de sua ousadia e não será o governo que vai cobrir isso. Agora, o governo tem obrigação de dar crédito e liquidez a valores de mercado", disse o ministro.
Medidas - O presidente do BC, Henrique Meirelles, reconhece a gravidade da crise, mas diz que a instituição está preparada para atuar no sentido de minimizar os efeitos da turbulência externa na economia nacional. Na semana passada, o Banco Central adotou medidas para conter a alta do dólar em meio a temores de uma recessão econômica global, mas ainda assim a divisa saltou 10% até sexta.
"Foi perfeita a atuação do Meirelles, ele deu um tiro de canhão para mostrar que está presente", disse Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor Corretora, sobre os leilões de venda de dólares no mercado à vista. "A função maior do BC é buscar sempre o melhor andamento da economia. Ele está atento e fazendo o que pode", afirmou Mario Paiva, analista de câmbio da Corretora Liquidez.