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23 OUT

BC faz intervenção pesada e dólar cai 3,2% / com Marcelo Voss

Fonte: Reuters
São Paulo -

Por Fabio Gehrke

O dólar fechou em queda acentuada nesta quinta-feira, em sessão de forte volatilidade, com as medidas do Banco Central contendo o avanço inicial da moeda apesar do pessimismo sobre os impactos da crise financeira na economia mundial.

A moeda norte-americana caiu 3,19 por cento, a 2,305 reais, em sessão de volume de negócios acima da média. Apesar da forte baixa, a divisa ainda acumula alta quase 9 por cento na semana.

O dólar abriu a sessão em forte alta subindo mais de 6 por cento logo nos primeiros negócios da sessão, acompanhando o mau humor dos principais mercados mundiais.

A Bovespa perdia cerca de 6 por cento, seguindo as oscilações dos índices acionários norte-americanos que se mantinham em território negativo.

No entanto, a tendência do mercado cambial foi rapidamente invertida com uma série de medidas do Banco Central.

Segundo Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, o principal fator que impulsiona as cotações do dólar são as incertezas sobre posicionamentos equivocados dos agentes no mercado futuro.

"Ele vinha usando doses homeopáticas. Ele tinha que vir com um lote que supere essa posição (dos mercados futuros)", afirmou Voss, lembrando que as previsões mais pessimistas apontam para um cenário de 20 bilhões de dólares em posições vendidas --que funcionam como uma aposta contra o real.

Para mostrar que o escopo de atuação no mercado futuro é forte, o BC afirmou que pode colocar até 50 bilhões de dólares em contratos de swap cambial no mercado.

O anúncio já garantiu uma desaceleração na alta da moeda americana. A virada foi garantida por uma atuação pesada da autoridade monetária.

Durante a sessão, o BC realizou três leilões de venda de dólares no mercado à vista e dois leilões de swap.

Mas Voss, ressalta que a impossibilidade de se avaliar detalhadamente o real tamanho do problema nos mercados de derivativos impede que os mercados se estabilizem antes de uma definição do futuro do governo norte-americano nas eleições presidenciais do dia 4 de novembro.

João Medeiros, diretor de câmbio da Pioneer Corretora, acredita que o recuo do dólar nesta sessão não configura uma reversão de tendência, mas um movimento pontual.

"Hoje ele (o BC) intercedeu muito forte e pode ter feito uma pressão... mas nós continuamos com... exportadores pressionados, um volume muito grande de importação e isso pode gerar um desconforto".

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