Depois de um dia de forte otimismo, voltou a preocupação com os efeitos da crise na economia real. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu mais de 3% nos primeiros 10 minutos do pregão, reduziu as perdas no início da tarde e por volta das 16h30m chegou a subir 1,36%, até assumir tendência indefinida e fechar o dia em baixa de 1,01%, aos 39.043 pontos. O dólar comercial subiu 4,99%, cotado a R$ 2,231. A moeda americana operou durante todo dia em valorização, chegando a valer R$ 2,25. O movimento de compra intenso causou a forte elevação da moeda, ofuscando os leilões do Banco Central (BC). A volatilidade prevaleceu nos índices da Bolsa de Nova York. O Dow Jones, que operava em queda desde o início do pregão, chegou a ter leve alta até fechar em queda de 2,05%, pressionado o Ibovespa. O índice Merval, da bolsa argentina não reagiu bem à privatização do sistema de previdência do país e cai intensamente no dia.
BC continua com leilões, mas dólar é pressionado por volume de compras
O Banco Central fez hoje pela manhã o primeiro leilão de venda de dólar, em swap cambial reverso, quando a autoridade monetária colocou 10 mil contratos e todos foram tomados pelo mercado. Segundo operadoras, foram injetados cerca de US$ 500 milhões com esta primeira operação. No início da tarde o BC entrou para fazer um leilão de venda de moeda à vista, usando taxa de corte de R$ 2,232. Por volta das 15h, houve mais um leilão à vista, com taxa de R$ 2,23.
O Banco Central (BC) já movimentou cerca de US$ 23 bilhões em leilões de vendas de dólar . Mas os esforços do BC não fizeram efeito na cotação da moeda hoje. Segundo Mário Paiva, analista de câmbio da Corretora Liquidez, a alta da moeda no dia é reflexo da aversão ao risco e do medo da recessão que atinge o mercado financeiro hoje. Mesmo com as atuações do BC no dia, o dólar deve permanecer em alta até o fim do pregão. O risco Brasil subiu mais de 6,07%, aos 524 pontos básicos.
Dia de tendências opostas no Ibovespa
Durante a manhã, o mercado não sabia o motivo das ações da Vale, começarem a subir, enquanto as empresas pares da mineradora em todo mundo sofriam retração. segundo um analista de corretora, que preferiu não ser identificado, os rumores sobre uma possível nova proposta de aquisição da Xstrata seriam motivos suficientes para levar os papéis à queda. Mas a mineradora nacional desmentiu oficialmente e as ações fecharam em alta. Vale PNA subiram 0,57%, cotadas a R$ 26,24. Já as ações de maior peso do Ibovespa, Petrobras PN , fecharam em queda de 1,97%, a R$ 24,89.
O preço do barril de petróleo, cotado em queda no mercado internacional, ajudou a empurrar os papéis da Petrobras para baixo. O petróleo do tipo WTI fechou a US$ 70,89, em baixa de 4,53%, em Nova York. O petróleo do tipo Brent foi negociado em Londres a US$ 69,72, em desvalorização de 3,69%.
As ações que mais subiram no Ibovespa foram de Rossi Residencial ON (+ 11,94%); seguida de JBS ON (+ 10,38%); e Gafisa ON (+ 7,52%). As ações do setor de construção civil reagiram bem às notícias de ajuda do governo a algumas empresas. A Gafisa ainda recebeu uma contribuição de um grupo estrangeiro, que comprou participação na companhia do segmento imobiliário. A JBS foi beneficiada pela negociação com grupo americano, que pode transformar o frigorífico nacional no segundo maior do setor nos EUA.
A maior queda foi de ALL (América Latina Logística) Unit, com baixa de 11,78%. O setor de logística é um dos meis afetados em momentos de nervosismo e sinais de desaceleração do crescimento mundial.
- A especulação no mercado de dólar e de renda variável esteve muito forte. O dia foi de muita volatilidade - confirmou Clodoir vieira, economista da Corretora Souza Barros.
Europa na expectativa de novas medidas
Os mercados europeus abriram com ganhos, inverteram a tendência e fecharam em queda. A exceção foi o CAC40, da Bolsa de Paris, que subiu 0,95% no dia. O FTSE da Bolsa de Londres caiu 1,24% e o Dax, de Frankfurt, recuou 1,05% hoje. A decisão do governo francês, de injetar 10,5 bilhões de euros no sistema bancário, influenciou o positivamente o mercado local. Na segunda-feira à noite, o ministério das Finanças da França anunciou que seis bancos do país receberiam empréstimos do governo como parte do fundo de recapitalização de 40 bilhões de euros revelado na semana passada.
Nos demais mercados europeus, os agentes também monitoraram as oscilações de papéis do segmento de tecnologia e de empresas ligadas à área de energia, especialmente mineradoras, que sofreram com quedas no preço de algumas commodities metálicas e também com a perspectiva de redução de importações pela China.
Fortes oscilações também predominam na Ásia
Na Ásia, o clima de foi de volatilidade nesta segunda-feira, mas a principal bolsa do continente, a de Tóquio, fechou com alta expressiva de 3,33%. A Bolsa de Taiwan teve alta de 0,22% enquanto Jacarta avançou 0,6%. Hong Kong teve queda de 1,8% e Xangai recuou 0,78%.
A Bovespa teve na segunda-feira um dia de recuperação, operando em alta desde a abertura até fechar em valorização de 8,36%.